Heikki Saukkomaa/Lehtikuva via AP
Heikki Saukkomaa/Lehtikuva via AP

Trump culpa 'estupidez americana' por péssima relação com a Rússia; Moscou concorda

Presidentes de EUA e Rússia realizam reunião formal entre ambos, na qual espera-se que abordem os conflitos na Síria e na Ucrânia, o desarmamento nuclear e a suposta ingerência eleitoral do governo russo; No Twittter, americano critica seus antecessores

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2018 | 09h01
Atualizado 16 Julho 2018 | 09h47

HELSINQUE, FINLÂNDIA - O presidente americano, Donald Trump, manifestou nesta segunda-feira, 16, sua esperança de chegar a uma relação "extraordinária" com seu colega russo, o presidente Vladimir Putin, no início da histórica cúpula entre ambos em Helsinque, na Finlândia.

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"Acho que nós teremos, em última instância, uma relação extraordinária (...) Se entender bem com a Rússia é uma coisa boa, não uma coisa ruim", declarou, ao lado de Putin. O presidente russo, por sua vez, afirmou a Trump que chegou o momento de falar dos temas delicados.

Trump e Putin iniciaram sua primeira cúpula bilateral nesta segunda na qual todas as suas declarações e gestos serão acompanhados pelo mundo todo.

“Sobretudo, nós temos muitas coisas boas para conversar”, disse Trump, após elogiar a Rússia pela realização da Copa do Mundo. "Vamos discutir sobre tudo, de comércio a Forças Armadas, de mísseis a China."

O jogo de Trump e Putin

"(Vamos) falar de falar forma substancial sobre nossa relação e áreas problemáticas do mundo", respondeu Putin Trump.

O Kremlin disse não ter muitas expectativas para a reunião entre Trump e Putin, mas afirmou esperar que a cúpula seja um “primeiro passo” para resolver a crise entre os dois países.

Na cúpula, o magnata americano espera estabelecer uma relação pessoal com o ex-oficial da KGB, que dirige a Rússia desde 2000. É difícil, porém, prever que tom adotará Trump, conhecido por sua tendência à provocação.

Muitos diplomatas e analistas temem que o presidente americano faça uma série de concessões a Putin, em questões como guerra na Síria, ou anexação da Crimeia por parte da Rússia.

Twitter

Horas antes do encontro, Trump culpou a “tolice e estupidez dos Estados Unidos” pelo mau relacionamento entre Washington e Moscou.

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia “curtiu” o comentário de Trump no Twitter, no qual o presidente dos EUA criticou a investigação em seu país sobre suposta interferência russa nas eleições americanas, assim como políticas dos governos anteriores de seu país.

“Nosso relacionamento com a Rússia nunca esteve pior graças a muitos anos de tolice e estupidez dos Estados Unidos e, agora, da manipulada caça às bruxas”, escreveu Trump. 

Agendas

O avião de Putin aterrissou às 13 horas (7 horas em Brasília) no aeroporto internacional da capital finlandesa, um dia depois de ter assistido, em Moscou, à final da Copa do Mundo de futebol.

Já Trump e sua mulher, Melania, que chegaram a Helsinque no domingo, começaram o dia com um café da manhã com o presidente finlandês, Sauli Niinistö, e sua mulher, Jenni Haukio.

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O encontro acontece no palácio presidencial, no centro da capital finlandesa, um local com uma longa tradição de acolhida das cúpula entre os dois países.

Primeiro Trump e Putin vão-se reunir sozinhos, com auxílio de seus intérpretes e, depois, serão acompanhados de suas respectivas delegações para um almoço de trabalho.

Assim como seus antecessores democratas e republicanos, Trump já se reuniu com Putin, mas, desta vez, o formato do encontro e o momento escolhido fazem dele um evento especial.

A cúpula desta segunda é a última etapa de uma viagem de uma semana pela Europa, na qual Trump atacou duramente seus aliados, especialmente a Alemanha, sem criticar o presidente russo. 

A importância da Síria

A Síria terá, certamente, um lugar de destaque nas conversas entre os dois dirigentes. Trump está impaciente para se distanciar desse conflito e retirar as tropas americanas estacionadas no país.

Já a Rússia, que intervém em apoio ao regime de Bashar Assad desde 2015, tem mais do que nunca a intenção de desempenhar um papel-chave na Síria. / AFP e REUTERS

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