MANDEL NGAN / AFP
MANDEL NGAN / AFP

Trump orienta seus eleitores a votar 2 vezes

Prática é ilegal e considerada crime em muitos Estados, incluindo a Carolina do Norte, onde declaração foi feita

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 09h00
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 22h16

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu a seus eleitores que votem duas vezes, uma pelos correios e outra pessoalmente, para testar a segurança da eleição. A afirmação foi feita na noite de quarta-feira, durante uma viagem à Carolina do Norte. “Deixe que eles enviem (as cédulas) e votem. E, se o sistema deles for tão bom quanto dizem, então, obviamente eles não poderão votar. Mas, se não estiver tabulado, eles poderão votar”, disse o presidente. 

A declaração colocou a campanha do presidente na defensiva, já que votar intencionalmente duas vezes é ilegal. Em muitos Estados, incluindo a Carolina do Norte, é crime. Em seguida, Trump tentou retificar aquilo que disse. Segundo ele, sua intenção teria sido apenas convocar seus eleitores a votar por correspondência e, no dia da eleição, comparecer à seção eleitoral para checar se o voto foi ou não computado.

Nas últimas semanas, o presidente vem insistindo que as eleições serão “repletas de fraudes” contra ele. Nesta quinta-feira, 3, ele voltou a dizer que a votação pelos correios – que neste ano foi ampliada em muitos Estados em razão da pandemia – terá erros na apuração, contagem duplicada de cédulas e atrasos, tornando impossível saber quem ganhou.

Dados oficiais, no entanto, não sustentam a alegação de Trump. Uma análise feita pelo Washington Post em três Estados que adotam o votação por correio apontou apenas 372 casos de voto duplo ou em nome de pessoas mortas, de um total de 14,65 milhões de cédulas enviadas por correspondência nas eleições de 2016 e de 2018 – cerca de 0,0025%.

O democrata Joe Biden, que foi questionado sobre o assunto na quarta-feira, acusou Trump de “tentar deslegitimar” o resultado da eleição e pediu às pessoas que “votem o mais cedo que puderem”. “A única maneira de resolver esse problema é votar. Vote, vote, vote. E não há nenhuma prova de que a votação por correspondência seja fraudulenta”, disse o democrata. /The Washington Post

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