Justin Sullivan/Getty Images/AFP
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Trump sugeriu 'imprimir dinheiro' para resolver déficit, diz livro

Gary Cohn, assessor econômico da Casa Branca citado pelo jornalista Bob Woodward confirmou o caso, mas negou ter roubado papéis da mesa de presidente americano

O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 21h22

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em uma reunião do conselho econômico dos EUA que a solução para o déficit fiscal americano seria imprimir mais dinheiro. A afirmação está no livro do jornalista político americano Bob Woodward, Fear (Medo, em tradução livre), que relata os bastidores da Casa Branca, que chegou às livrarias nesta terça-feira, 11, depois de quase duas semanas de polêmicas.

No livro de Woodward, que ao lado de Carl Bernstein revelou o caso Watergate, nos anos 70, e ajudou a derrubar o presidente Richard Nixon, há detalhes sobre uma reunião entre Gary Cohn, ex-diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Trump e outros assessores. “Vamos lá. Rode as prensas – imprima dinheiro”, disse Trump, segundo Woodward. Cohn teria dito ao presidente: “Não se pode fazer isso. Temos enormes déficits e eles importam. Precisamos controlá-los”. Segundo Woodward, Cohn ficou “espantado com a falta de compreensão básica de Trump”.

Na terça-feira, 11, Cohn confirmou a jornalistas que Trump teria sugerido imprimir dinheiro, mas negou outras passagens do livro de Woodward. O ex-banqueiro do Goldman Sachs disse ao site americano Axios: “Este livro não retrata com precisão minha experiência na Casa Branca. Tenho orgulho de meu serviço no governo Trump e continuo a apoiar o presidente e sua agenda econômica”. 

Entre as passagens relatadas por Woodward e refutadas por Cohn estão dois momentos em que ele teria retirado documentos importantes sobre política econômica da mesa de Trump para evitar que o presidente tomasse atitudes extemporâneas.

Em uma das passagens, Woodward diz que Trump quis que o país abandonasse o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e pediu ao então chefe de gabinete, Rob Porter, que redigisse a carta para levar o plano adiante. Porter escreveu uma carta, mas perguntou a Cohn o que fazer. Ele respondeu, segundo Woodward: “Posso impedir isso. Eu vou tirar o papel da mesa dele”.

Porter também negou. “A sugestão de que os documentos foram, de algum modo, ‘roubados’ da mesa do presidente para impedir sua assinatura interpreta mal o funcionamento do processo de revisão de documentos da Casa Branca”, disse, em nota, Rob Porter. 

Outros importantes integrantes do governo Trump citados no livro de Woodward também desmentiram frases atribuídas a eles no livro, como o secretário de Defesa, James Mattis, e o chefe de gabinete, John Kelly.

Trump voltou a criticar o jornalista na terça-feira, 11. “O livro de Woodward é uma piada”, Trump escreveu em sua conta no Twitter. “Apenas mais um ataque contra mim, usando fontes não identificadas e anônimas. Muitos já se apresentaram para dizer que as citações são ficção”. Trump disse também que os democratas “não perdem por esperar”, porque ele vai “escrever um livro real, definitivo”, sobre seu governo. / NYT e AFP

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