Mandel Ngan/AFP
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Trump suspende financiamento dos Estados Unidos à OMS

Há uma semana, o republicano havia ameaçado cortar os recursos depois de sugerir que a administração da organização tinha um viés favorável à China durante a pandemia de coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2020 | 19h41
Atualizado 14 de abril de 2020 | 20h59

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 14, a suspensão do financiamento americano à  Organização Mundial da Saúde (OMS).  Segundo o presidente, o financiamento ficará suspenso enquanto seu governo analisa a resposta da entidade à pandemia, a pior do mundo em décadas.

Há uma semana, o republicano havia ameaçado cortar os recursos depois de sugerir que a administração da organização tinha um viés favorável à China durante a pandemia de coronavírus.  Trump argumentou que os EUA são responsáveis por cerca de US$ 400 milhões enquanto, segundo ele, a China contribui com apenas US$ 40 milhões. O orçamento anual da OMS é de US$ 4,8 bilhões.

"Hoje, determino a suspensão do financiamento da Organização Mundial da Saúde enquanto se realiza um estudo para examinar o papel da OMS na má gestão e no encobrimento da pandemia do coronavírus", declarou Trump durante sua entrevista coletiva diária, enquanto defendeu a gestão de seu próprio governo para a crise em seu país.

Trump atacou a organização por se opor às restrições de viagens à China no início da crise e a acusou de ser excessivamente cautelosa com os chineses no início do surto, mesmo que o próprio americano tenha elogiado a resposta do governo chinês até algumas semanas atrás.

O presidente americano diz que isso custou a outros países tempo crucial para preparar e adiar decisões para interromper as viagens internacionais.  "O ataque da OMS às restrições de viagens coloca o politicamente correto acima das medidas que salvam vidas", afirmou. 

A decisão do presidente de suspender o financiamento americano à OMS segue um padrão de ceticismo de sua presidência com as organizações mundiais que começou bem antes da pandemia de coronavírus. Trump já questionou o financiamento dos EUA às Nações Unidas, à aliança militar Otan, retirou-se de acordos climáticos globais e criticou a Organização Mundial do Comércio (OMC), sempre alegando que os outros países estavam roubando os EUA.

Para os críticos do presidente, porém, ele tenta tirar o foco da sua má-gestão da crise. Durante semanas após o início da epidemia de coronavírus, Trump elogiou frequentemente a resposta de Pequim e subestimou o perigo que representava em casa.

O senador democrata Chris Murphy, que atua na Comissão de Relações Exteriores do Senado, disse nesta terça-feira, mais cedo, que ainda que a OMS e a China tenham cometido erros, Trump está tentando desviar a culpa de sua própria administração. 

"Nesse momento, há um esforço muito coordenado entra a Casa Branca e seus aliados para tentar encontrar bodes expiatórios pelos erros fatais que o presidente cometeu nos estágios iniciais dessa crise", disse o senador.  / Com AFP

 

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