Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Trump tem desafio de unir republicanos

Após últimos rivais desistirem das prévias do partido, provável candidato à presidência dos EUA precisa vencer resistência dos conservadores tradicionais

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2016 | 20h49

WASHINGTON - Vitorioso na disputa pela nomeação do candidato do Partido Republicano à presidência dos EUA, Donald Trump tem agora o desafio de unificar a legenda antes das eleições de novembro. Mas - após a desistência do senador Ted Cruz e do governador John Kasich - a reação de parte da elite republicana a seu nome indica que a tarefa não será fácil.

Muitos conservadores importantes declararam nesta quarta-feira, 4,  que não votarão em Trump. Alguns deram um passo além e disseram que escolherão a democrata Hillary Clinton, algo tão improvável há poucos meses quanto a candidatura do bilionário.

A hashtag #NeverTrump (Nunca Trump) foi estampada nos tuítes de republicanos notórios, como Michael Salter, ex-assessor do candidato presidência de 2008, John McCain. Sua mensagem foi clara: “Eu estou com ela”, expressão que foi repetida por outros integrantes do partido, como Ben Howe, editor do site conservador Red State, e Mike Treiser, ex-assessor de Mitt Romney, que disputou a presidência com Barack Obama em 2012. “Diante da intolerância, do ódio, da violência e da pobreza intelectual, é o momento, eu estou com ela”, escreveu Treiser no Facebook.

Henry Olsen, do instituto ultraconservador Ethics & Public Policy Center, disse ao Estado que não votará em Trump nem em Hillary. Quando for às urnas em novembro, ele se concentrará nos candidatos ao Senado e à Câmara. O mesmo caminho será adotado pelo analista político Michael Barone, autor do The Almanac of American Politics.

Mas é pouco provável que as escolhas feitas por pessoas identificadas com o establishment da legenda tenham efeito significativo sobre os eleitores que optaram por Trump nas primárias. Pesquisas mostram que a maioria delas se considera traída pelo partido. A escolha de um “outsider” que nunca ocupou um cargo público e se filiou à legenda em 2012 é o principal sintoma da insatisfação das bases republicanas com seus dirigentes tradicionais.

A grande dúvida é se Trump conseguirá unificar o partido e obter o apoio dos que escolheram outros candidatos durante as prévias. Pesquisa da CNN divulgada nesta quarta mostrou que 24% dos eleitores registrados como republicanos fazem uma avaliação negativa do bilionário. O número é 11 pontos porcentuais superior aos 13% de democratas que têm a mesma opinião em relação a Hillary.

“O Partido Republicano sofre um distúrbio de múltiplas personalidades, que não podem coexistir no mesmo corpo”, afirmou Olsen. Em sua opinião, um discurso centrado no nacionalismo e na defesa de uma política de imigração mais restritiva teria o potencial de unir as facções da legenda.

O cientista político Norman Ornstein acredita que a maioria dos republicanos acabará se alinhando com o bilionário. “Agora, nós temos um Partido Republicano que é o Partido de Donald Trump”, observou Ornstein, autor de livro que analisa a polarização política americana.

Mas ele é cético quanto às chances de vitória do bilionário em novembro. Quando a legenda se debruçar sobre as causas da eventual derrota, ele acredita que a questão central será a mesma identificada depois da reeleição de Obama em 2012: “Como expandiremos nossa base além dos trabalhadores brancos frustrados?”.

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