REUTERS/Cheriss May
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Trump testou positivo para a covid na quinta-feira e omitiu informação, diz jornal

Segundo ‘Wall Street Journal’, o presidente americano realizou um teste rápido e recebeu o resultado positivo, mas esperou a contraprova ficar pronta um dia depois para informar que havia se contaminado; à Fox News, ele mentiu sobre sua situação

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2020 | 20h09
Atualizado 05 de outubro de 2020 | 14h29

WASHINGTON - O presidente Donald Trump já havia testado positivo para a covid-19 na quinta-feira passada pela tarde e não revelou o resultado enquanto esperava uma contraprova, disseram fontes próximas ao presidente neste domingo, 4, ao jornal The Wall Street Journal

Trump realizou um teste rápido na tarde de quinta-feira e recebeu o resultado positivo antes de participar de um programa da Fox News, no qual omitiu a informação. Mas, de acordo com os protocolos da Casa Branca, ele precisava realizar outro teste, mais profundo, considerado mais confiável.  

 

Durante o programa, ele confirmou que uma de suas assessoras mais próximas, Hope Hicks havia testado positivo para a covid. Como o presidente havia viajado diversas vezes acompanhado de Hope Hicks nos últimos dias, ele foi questionado durante o programa sobre a sua situação. Trump então disse que receberia o resultado do teste na noite de quinta ou na manhã de sexta-feira.  

Segundo o Wall Street Journal, conforme pessoas próximas ao presidente foram informando que estavam com a covid-19, Trump pediu a um assessor próximo que não revelasse a informação sobre seu primeiro teste. "Não conte a ninguém". 

O presidente americano tornou público que havia se contaminado com o novo coronavírus apenas na manhã da sexta-feira pelo Twitter. 

As especulações em torno da saúde de Trump continuaram mesmo depois de ele publicar que estava doente. Na sexta-feira pela noite, o presidente foi levado de helicóptero ao hospital militar Walter Reed porque apresentou febre e fadiga.  

No sábado, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, afirmou que o quadro de saúde do presidente era preocupante pois ele precisou receber oxigênio suplementar antes de sair para o hospital porque sua saturação estava baixa. No mesmo dia, momentos antes, a equipe médica do presidente se negou a confirmar a informação.

Neste domingo, no entanto, os médicos disseram que Trump recebeu oxigênio suplementar duas vezes, mas se recuperava bem e poderia ter alta ainda nesta segunda-feira. “Eu não queria dar nenhuma informação que pudesse direcionar o curso da doença em outra direção e, ao fazer isso, pareceu que estávamos tentando esconder algo, o que não era necessariamente verdade”, afirmou o médico Sean Conley, na coletiva realizada nesta manhã. 

Agradecimento a partidários

Durante a tarde, a surpresa veio direto do presidente americano que, em meio ao tratamento da covid, deixou o hospital por alguns minutos para acenar aos seus apoiadores. Trump saiu do hospital, dessa vez usando máscara, dentro de uma SUV preta. Ele sorriu e acenou aos partidários, mostraram imagens de TV. 

Em seguida, ele retornou ao hospital militar. Minutos antes de ser visto pelas ruas, Trump postou um vídeo no Twitter agradecendo a equipe médica, dizendo que se sentia muito bem e , portanto, "faria uma visita surpresa aos seus apoiadores".

"Eu quero agradecer a todos, enfermeiras, médicos...Também acho que farei uma pequena surpresa aos grandes patriotas que temos e estão lá fora por muito tempo balançando bandeiras com o nome Trump...não disse a ninguém além de vocês, mas estou prestes a fazer uma pequena visita surpresa", disse o presidente no vídeo.  

Segundo a CNN, a equipe de imprensa da Casa Branca não foi informada sobre a intenção de Trump de fazer essa saída, algo incomum. Geralmente, a equipe é informada antes de grandes movimentos de um presidente americano. 

"O presidente Trump deu uma pequena volta, de última hora, em um comboio para acenar aos seus apoiadores do lado de fora do hospital, mas já retornou à suíte presidencial do Walter Reed", informou o vice-secretário de imprensa da Casa Branca Judd Deere. 

Mais cedo neste domingo, foram divulgadas fotos oficiais de Trump trabalhando de dentro do hospital e tudo indicava que ele só sairia de lá se recebesse alta médica.

O médico Conley explicou neste domingo que Trump começou a tomar dexametasona, um corticoide indicado a pacientes com quadros graves de covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso do corticoide para casos graves, não moderados. 

Conley foi questionado também sobre os resultados de exames do presidente, especialmente sobre a situação pulmonar de Trump. Ele afirmou que nos exames do pulmão mostraram “achados esperados”, sem dar mais detalhes, apesar de ter sido questionado. / NYT e AFP

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