EFE/JIM LO SCALZO
EFE/JIM LO SCALZO

Trump usa caso sexual de Clinton antes de debate

Pouco mais de uma hora antes de os dois se enfrentarem, Trump apareceu em uma transmissão ao vivo pelo Facebook ao lado de quatro mulheres que dizem ter sido vítimas de agressões sexuais cometidas pelo ex-presidente

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 16h08

WASHINGTON - Horas antes de um crucial debate presidencial na TV, o candidato republicano Donald Trump lançou neste domingo um agressivo - e politicamente perigoso - ataque contra sua rival, a democrata Hillary Clinton, ao resgatar uma acusação de estupro feita em 1999 contra o marido dela, o ex-presidente Bill Clinton.

Pouco mais de uma hora antes de os dois se enfrentarem, Trump apareceu em uma transmissão ao vivo pelo Facebook ao lado de três mulheres que dizem ter sido vítimas de agressões sexuais cometidas pelo ex-presidente. Mais cedo, o uso da acusação não provada contra Clinton, feita em uma entrevista que Trump postou no Twitter neste domingo, representa uma dramática escalada na já controvertida campanha em meio aos esforços do magnata para reduzir a importância dos próprios comentários vulgares e sexistas, revelados em um áudio divulgado na sexta-feira.

Em entrevista ao site pró-Trump Breitbart Juanita Broderick reiterou a acusação, feita em 1999, de que foi vítima de "brutais estupros" cometidos por Clinton. O então presidente negou as alegações e a denúncia criminal apresentada por Juanita foi rejeitada em 2001 após investigações.

Além de Juanita, aparecem na trasmissão Paula Jones, uma ex-funcionária do Estado do Arkansas que processou Clinton por assédio sexual em 1994. Segundo Paula, Clinton  teria "se exposto" para ela em um quarto do hotel Little Rock. Outra convidada era Kathy Shelton, que foi estuprada aos 12 anos e Hillary Clinton foi advogada do acusado de cometer o estupro.

Um polêmico vídeo divulgado na sexta-feira foi gravado em 2005 e mostra Trump, na época uma estrela de reality show, falando em um microfone aberto sobre apalpar mulheres, além de tentar seduzir uma mulher casada. O vídeo foi gravado meses após o casamento de Trump com Melania, sua terceira mulher.

Apesar do escândalo provocado pela divulgação do áudio, uma pesquisa divulgada ontem mostrou que a maioria dos eleitores republicanos mantém seu apoio a Trump. A pesquisa realizada pelo site Politico e pelo insituto Morning Consult com 1.549 eleitores registrados mostra que 74% dos entrevistados republicanos apoia Trump.

Apenas 12% pensa que o magnata imobiliário deveria abandonar a corrida presidencial, como reivindicaram várias vozes do partido, opinião que é compartilhada por 13% das mulheres republicanas consultadas.

Na pesquisa, que tem margem de erro de 2 pontos percentuais, 42% dos entrevistados apoiam Hillary para as eleições do dia 8 de novembro. O magnata conta com 38% de apoio, à frente dos candidatos Gary Johnson (libertário, 8%) e Jill Stein (verde, 3%).

Trump, que enfrenta uma revolta de seu partido em razão de seus comentários, se sente péssimo, mas não tem a intenção de retroceder na corrida à Casa Branca e participará do debate deste domingo, informou o assessor de Trump, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani.

Ele adotou um tom desafiador neste domingo ao participar de talk shows, dizendo que durante o debate com Hillary, Trump não descarta a possibilidade de  lançar uma ofensiva usando a infidelidade de Clinton no passado.

Em entrevista ao programa da NBC Meet the Press, Giuliani disse que ambos os candidatos presidenciais são falhos, mas Trump sente que deve permanecer na corrida por seus apoiadores.

"Óbvio que ele se sente muito mal com o que disse e pediu desculpas por isso", disse Giuliani. "O que ele gostaria de fazer é passar para as questões que o povo americano enfrenta."

Os republicanos atacaram Hillary pelo que acreditam que foi responsabilidade dela a tentativa de desacreditar, décadas atrás, as mulheres que acusaram Bill Clinton de má conduta sexual.

A um mês para as eleições nos EUA, Trump, enfrenta a maior crise de sua campanha de 16 meses. O debate na Universidade de Washington em St. Louis começa às 22 horas (horário de Brasília). Na reta final das eleições, este será o segundo de três debates presidenciais agendados./ REUTERS, AP e EFE

 

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