Andrew Harnik/AP
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Trump usa PIB em alta para frear Biden

Na Flórida, um Estado-chave, presidente organiza comício em estádio de futebol; candidato democrata reúne simpatizantes em drive-in

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 04h00

MIAMI, EUA - Donald Trump e Joe Biden levaram na quinta-feira, 29, a campanha para um terreno conhecido da vida eleitoral americana: a Flórida. Os dois realizaram comícios em horários diferentes na cidade de Tampa. Para convencer os indecisos, o presidente usou o crescimento de 7,4% do PIB no terceiro semestre para tentar frear o rival democrata. 

As diferenças entre os dois candidatos, no entanto, eram gritantes. Trump fez um comício no estádio do Tampa Bay Buccaneers, time de futebol americano, para uma multidão aglomerada e, na maioria das vezes, sem máscaras. Biden discursou horas depois em um drive-in, com seus eleitores dentro dos carros.

Há boas razões para que os dois candidatos tenham escolhido fazer campanha na Flórida a cinco dias da eleição. Os seus 29 votos no colégio eleitoral representam quase o dobro de Michigan (16) e o triplo de Wisconsin (10), por exemplo. As eleições no Estado costumam ser decididas por menos de um ponto porcentual e Trump e Biden aparecem praticamente empatados nas pesquisas. 

Mas há uma razão melhor ainda para os dois candidatos terem escolhido Tampa. O condado de Hillsborough, onde fica a cidade, é um microcosmo dos EUA, com equilíbrio entre eleitores republicanos, democratas e independentes. Em 11 das últimas 13 eleições presidenciais, o vencedor no condado ganhou a Casa Branca – uma das exceções foi Hillary Clinton, que venceu Trump em Tampa, em 2016.

“A Flórida tem a chave da eleição. Se ganharmos aqui, a eleição acabou”, disse na quinta-feira, 29, o candidato democrata, com seu tradicional óculos de sol Ray-Ban. Biden fez uma blitz no Estado, com discursos em Miami e Fort Lauderdale, antes de chegar a Tampa. 

No ataque

O presidente chegou à cidade mais cedo, no início da tarde. Em seu discurso, ao lado da primeira-dama, Melania, ele exaltou o crescimento da economia. “Estou muito contente que esse número do PIB tenha saído antes da eleição”, disse Trump, que vem sendo aconselhado a falar mais sobre economia, uma das poucas áreas que ele, segundo pesquisas, aparece à frente de Biden. 

No entanto, Trump não se manteve por muito tempo dentro do roteiro e logo passou a atacar a imprensa e o rival democrata. “Eles me pedem para falar sobre o sucesso que tive na economia, sobre o PIB. Quantas vezes eu preciso repetir, cinco ou seis? Eles me pedem para não falar mal do Biden. Dizem que ninguém se importa. Mas eu discordo. É por isso que eu estou aqui, e eles não.”

Foi então que o presidente começou a disparar contra o democrata, acusando Biden de estar a serviço da Rússia e da China e de ser culpado pelo tombo recente do mercado financeiro. Em determinado momento, Trump disse que, se Biden for eleito, “não haverá festas de Natal” – um ataque que ele vem utilizando com frequência. 

No fim, o presidente voltou a atacar a imprensa, principalmente a rede de TV CNN e o jornal The New York Times. “A imprensa livre nos EUA realmente é a inimiga do povo”, disse o presidente. A reclamação mais recente de Trump é com relação a um artigo anônimo publicado em 2018 pelo Times

No texto, assinado por um funcionário do alto escalão do governo, ele afirmava que fazia parte de uma “resistência” e seu objetivo era conter as intenções do presidente. Na quarta-feira, Miles Taylor, ex-chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interna (DHS), revelou ser o autor do artigo. “Quem é esse sujeito?”, ironizou Trump. “Diziam que ele era um funcionário do alto escalão do governo, mas ninguém na Casa Branca nunca ouviu falar dele.” 

Democrata mantém liderança nas pesquisas 

Dois números são importantes na reta final da campanha americana. Primeiro, o de novos casos de covid – que na quinta chegou a 88,9 mil em 24 horas, o número mais alto desde o início da pandemia. Com 9 milhões de infectados, os Estados Unidos caminham rapidamente para ultrapassar a marca de 10 milhões de casos – o que deve ser alcançado após as eleições.

Além do avanço do vírus, os americanos estão de olho nas dezenas de pesquisas diárias que apontam Joe Biden com uma margem de cerca de 9 pontos porcentuais sobre Donald Trump.

De acordo com o portal Five Thirty Eight, que faz projeções com base nos dados de sondagens, o democrata lidera em Estados importantes: Michigan (8 pontos), Wisconsin (8,4), Pensilvânia (5,2) e Flórida (2). Trump está na frente no Texas (1,2 ponto), enquanto a eleição está empatada em Ohio.

Segundo o site, Biden tem mais de 80% de possibilidade de ser eleito, ante pouco mais de 10% de Trump. No voto popular, a previsão é de vitória do democrata por mais de 7 pontos porcentuais, vantagem que vem se mantendo há um mês. / WP, AP, NYT e REUTERS 

 

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