Saul Loeb/AFP
Saul Loeb/AFP

Trump vai à Ásia em novembro com Coreia do Norte em pauta

Presidente americano visitará Japão, Coreia do Sul e China e deve discutir impasse nuclear com Pyongyang

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2017 | 13h39

WASHINGTON - A Coreia do Norte estará no centro da primeira visita que o presidente Donald Trump fará à Ásia, no início no próximo mês. No Japão e na Coreia do Sul, ele reafirmará o compromisso dos EUA com a defesa de seus dois principais aliados na região. Na China, ele pedirá que o governo de Xi Jinping aumente a pressão para que Pyongyang abandone seu programa nuclear.

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Trump também irá ao Vietnã, onde participará de reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), e às Filipinas, para a cúpula da Associação das Nações do Sudeste da Ásia (Asean). Em Manila, ele terá encontro bilateral com o presidente Rodrigo Duterte, acusado de promover a execução extrajudicial de milhares de pessoas em sua cruzada contra as drogas.

Em telefonema em abril, Trump elogiou as ações do presidente filipino, alvo de críticas de organizações de defesa dos direitos humanos. “Eu só queria congratulá-lo porque eu estou ouvindo sobre o inacreditável trabalho no problema das drogas”, disse o americano na conversa, de acordo com transcrição obtida pelo Intercept e os jornais Washington Post e New York Times.  “Muitos países têm esse problema, nós temos esse problema, mas que grande trabalho você está fazendo.”

Trump usará o encontro para discutir a aliança entre os EUA e as Filipinas e também para abordar questões relativas a direitos humanos, disse um assessor da Casa Branca em conferência telefônica com jornalistas na manhã desta segunda-feira.

Essa será a primeira viagem de Trump para a Ásia e a mais longa desde sua posse, no dia 20 de janeiro. O presidente partirá no dia 3 de novembro e voltará a Washington 11 dias mais tarde. Um de seus primeiros atos na Casa Branca foi retirar os EUA da Parceria Transpacífico (TPP), o acordo comercial com 11 países da região negociado durante sete anos pela administração Barack Obama. O ex-presidente via o TPP como um elemento central da estratégia dos EUA para manter sua influência na região Ásia-Pacífico e contrabalançar a ascensão da China, excluída do tratado.

Em Pequim, Trump encontrará um Xi Jinping fortalecido pelo Congresso do Partido Comunista da China, que será concluído nesta semana com sua recondução ao comando da segunda maior economia do mundo.

O assessor da Casa Branca disse que a administração Trump está “encorajada” pelos passos tomados pela China em relação a Pyongyang Coreia do Norte. Mas ressaltou: “Todos precisamos fazer mais para pressionar a Coreia do Norte na busca de uma solução pacífica” para a crise em torno de seu programa nuclear.

Segundo ele, os EUA indicaram que estavam abertos ao diálogo com Pyongyang logo que Trump chegou ao poder. Mas a resposta veio na forma de quase 20 testes de mísseis, entre os quais mísseis balísticos intercontinentais, a morte de um americano que estava preso na Coreia do Norte e a prisão de outros três cidadãos dos EUA.

“Por 25 anos, os Estados Unidos tentaram negociar de boa-fé o fim do programa nuclear e de mísseis para manter a estabilidade na península coreana”, afirmou. “Cada vez, os Estados Unidos foram trapaceados, e a ONU (Organização das Nações Unidas), humilhada.”

As questões comerciais que marcaram a campanha presidencial de Trump também serão discutidas em Pequim. Uma das principais demandas dos EUA é a reciprocidade no tratamento a empresas americanas que gostariam de investir na China. Muitos setores da economia do país continuam fechados a companhias estrangeiras, especialmente na área de serviços. Trump também se queixará da transferência forçada de tecnologia por companhias dos EUA que operam no país e de violações de propriedade intelectual. 

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