REUTERS/David Moir e SAUL LOEB / AFP
REUTERS/David Moir e SAUL LOEB / AFP

Trump vai para campo de golfe enquanto políticos se reúnem para despedida de McCain

Presidente americano estará ausente de Washington durante homenagens póstumas ao senador republicano do Arizona, que morreu em razão de um câncer no cérebro

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 09h30

WASHINGTON - Quando líderes políticos americanos se reunirem hoje em Washington para lembrar o senador John McCain, que morreu no último fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá viajado para um de seus clubes de golfe particulares. McCain será velado e homenageado nesta sexta-feira, 31, no Capitólio, após uma semana de eventos solenes durante a qual Trump esteve ausente.

A distância entre o presidente e os funerais do senador é reflexo da animosidade entre os dois homens, que perdura mesmo depois da morte do político do Arizona, que tinha câncer no cérebro. Trump também não comparecerá ao serviço no sábado, na Catedral Nacional de Washington, durante o qual os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush prestarão suas homenagens a McCain.

Tradicionalmente presidentes americanos no cargo “servem como uma fonte de consolo e conforto” ao país em momentos de perda e tragédia, disse o historiador Julian Zelizer, da Universidade Princeton. No entanto, o relacionamento Trump-McCain deixou pouco espaço para isso. 

Em 2015, não muito depois de Trump iniciar sua campanha presidencial, o senador republicano criticou a retórica linha-dura do então pré-candidato sobre a imigração ilegal, acusando-o de “incentivar os malucos”. Trump reagiu, comentando os cinco anos e meio de McCain como prisioneiro de guerra no Vietnã: “Ele foi um herói de guerra porque foi capturado. Gosto de pessoas que não foram capturadas”. O presidente americano recebeu cinco adiamentos que o livraram do serviço militar

Mais recentemente, o senador havia acusado Trump de se curvar ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, em uma cúpula de julho em Helsinque. Tratou-se, segundo McCain, de “uma das atuações mais vergonhosas de um presidente americano já vistas”.

Trump, por sua vez, impediu a divulgação de qualquer comunicado oficial depois da morte de McCain. A certa altura a bandeira dos EUA no alto da Casa Branca, que estivera a meio-mastro, foi reerguida e depois baixada novamente porque o presidente foi atacado pelo Congresso e por veteranos. “As ações do presidente no primeiro dia da morte (de McCain) foram muito mesquinhas”, disse Zelizer.

Mas ele observou que muitos republicanos, incluindo alguns do Arizona, expressavam frustração com as posições moderadas de McCain em algumas questões, refletindo a natureza instável do Partido Republicano que Trump capitalizou. McCain deixou claro a parentes e amigos que queriam que o ex-vice-presidente democrata Joe Biden, Bush e Obama discursassem em seu enterro, mas que Trump não seria bem-vindo. / REUTERS

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