Mikhail Klimentyev/Krelim via Reuters
Mikhail Klimentyev/Krelim via Reuters

Trump vai se retirar de tratado bélico de mais de 20 anos com a Rússia

Tratado dos Céus Abertos foi estabelecido em 1992 para que aeronaves pudessem sobrevoar territórios de outras nações a fim de garantir que não estão havendo preparativos militares

David E. Sanger, The New York Times

21 de maio de 2020 | 13h46

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar-se de outro acordo importante de controle de armas, segundo altos funcionários do governo. Na sexta-feira, 22, Trump deve informar à Rússia que os EUA deixarão o Tratado de Céus Abertos, negociado há três décadas para permitir que aeronaves das nações voem sobre os territórios das outras com sensores e outros equipamentos do tipo para garantir que não estão se preparando para uma ação militar.

A decisão de Trump será vista como mais uma evidência de que ele também pode estar pronto para sair do único tratado de armas que resta com a Rússia: o "New START". Este pacto limita os Estados Unidos e a Rússia a possuírem 1.550 mísseis nucleares cada. O acordo expira semanas após a próxima eleição presidencial.

Autoridades americanas há muito reclamam que Moscou estava violando o acordo de céu aberto ao não permitir voos sobre uma cidade onde se acreditava que a Rússia estava empregando armas nucleares que poderiam chegar à Europa, além de proibir vôos durante os principais exercícios militares russos.

E, em relatórios sigilosos, o Pentágono e as agências de inteligência americanas sustentaram que os russos também estão usando vôos sobre os Estados Unidos para mapear a infraestrutura americana que poderia ser atingida por ataques cibernéticos. Autoridades americanas também observam que Trump ficou irritado com um voo russo diretamente sobre seu campo de golfe em Bedminster, Nova York, em 2017.

Mas a decisão de Trump deve afetar ainda mais os aliados europeus, incluindo os da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que também são signatários do tratado. Eles permanecerão no acordo, mas alertaram que, com a saída de Washington, a Rússia quase certamente responderá cortando seus vôos também, que os aliados usam para monitorar os movimentos de tropas em suas fronteiras - movimento especialmente importante para os países bálticos.

A decisão marca a terceira vez que Trump renuncia a um grande tratado de controle de armas. Dois anos atrás, ele abandonou o acordo nuclear do Irã, negociado pelo presidente Barack Obama. No ano passado, ele deixou o tratado das Forças Nucleares Intermediárias, dizendo novamente que não participaria de um tratado que, segundo ele, a Rússia estaria violando.

O Tratado de Céus Abertos foi negociado pelo Presidente George W. Bush e seu secretário de Estado, James Baker, em 1992, após o colapso da União Soviética.

Mas a idéia foi apresentada pela primeira vez pelo presidente Dwight D. Eisenhower, no verão de 1955, e foi rejeitada pelos soviéticos como um plano elaborado para espionar um inimigo mais fraco.

Por mais de um ano, Trump disse que não o renovaria a menos que a China também se juntasse. Pequim, que possui um arsenal nuclear com um quinto do tamanho de Washington e de Moscou, rejeitou a idéia.

Não está claro se Trump tentará uma breve extensão do tratado de vários meses - a redação atual permite apenas uma única extensão de cinco anos - ou a abandonará completamente se a China se recusar a participar.

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