AP Photo/Carolyn Kaster
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Críticas de Trump a secretário de Justiça e votação de reforma da saúde agitam Washington

Na capital americana, as dúvidas do dia se referem à permanência de Jeff Sessions no cargo depois das críticas do presidente na semana passada e nesta manhã, além da capacidade do Partido Republicano de avançar o projeto para substituir o Obamacare

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 09h47
Atualizado 25 Julho 2017 | 13h16

WASHINGTON - A capital americana amanheceu nesta terça-feira, 25, sob dois grandes pontos de interrogação. O primeiro é o se o secretário de Justiça, Jeff Sessions, vai sobreviver aos petardos que o presidente Donald Trump dispara contra ele desde a semana passada. O outro ponto de interrogação está no projeto de reforma da saúde que deverá ser votado no Congresso.

Há poucas horas, Trump disse no Twitter que Sessions teve uma posição muito "fraca" em relação a supostos crimes cometidos pela democrata Hillary Clinton, ao se referir ao caso dos e-mails usado pela democrata enquanto era secretária de Estado, entre 2009 e 2013.

Em entrevista ao New York Times na semana passada, Trump afirmou que não teria indicado Sessions para o cargo se soubesse que ele se declararia impedido para atuar na investigação sobre potenciais vínculos entre sua campanha eleitoral e a Rússia.

Essa decisão do secretário de Justiça abriu caminho para a nomeação de um procurador especial para comandar a investigação. O escolhido foi o ex-diretor do FBI Robert Mueller, que tem um histórico de independência e de resistência a pressões vindas da Casa Branca.

O eventual afastamento de Sessions permitiria que Trump nomeasse para o cargo alguém sem vínculo com sua campanha, que poderia supervisionar a investigação sobre a Rússia e, eventualmente, demitir Mueller.

Com isso, a Casa Branca teria mais controle sobre a investigação relativa à interferência da Rússia na disputa presidencial americana, que se transformou no maior fantasma da administração Trump.

Sessions foi o primeiro senador a declarar apoio ao bilionário de Nova York, quando suas pretensões presidenciais ainda enfrentavam grande resistência dentro do Partido Republicano.

Mas a eventual demissão de Sessions também representa um enorme risco político para o presidente, já que seria interpretada por muitos como uma tentativa de barrar as investigações.

Pelo Twitter, em mensagem publicada minutos antes, Trump também disse que a Ucrânia tentou "sabotar" sua campanha presidencial ao "trabalhar silenciosamente para impulsionar (Hillary) Clinton". "Onde está a investigação sobre isto, procurador-geral?", questionou o presidente, sem apresentar provas desta suposta interferência de Kiev.

Saúde

A segunda dúvida do dia na capital americana deverá ser esclarecida dentro de poucas horas, quando o Partido Republicano tentará reavivar a proposta de rejeição e substituição do Obamacare - a reforma do sistema de saúde implementada pelo ex-presidente americano -, que parecia morta na semana passada.

O Senado terá uma votação procedimental para decidir se o assunto deve ser colocado em pauta e discutido. Para isso, é necessária a concordância de 51 dos 100 integrantes da Casa. Os republicanos têm 52 senadores, mas não está claro se todos eles votarão a favor da discussão do projeto. 

Ainda que o partido consiga o número suficiente de votos, essa não será uma vitória definitiva. Se o tema for colocado em pauta, os republicanos terão de superar divergências profundas dentro da legenda nos próximos dias e decidir qual proposta final será votada no plenário.

A eventual não obtenção do número mínimo de votos para a discussão do projeto será uma derrota avassaladora para o partido e para Trump, que colocou a rejeição do Obamacare entre suas principais promessas de campanha.

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