Trumps do passado e do futuro

O partido está nomeando um candidato desprovido de todas as principais características que fazem de alguém um republicano

The Economist, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2016 | 16h59

Em todos os continentes, ele parece ser uma figura familiar. Para os italianos, é outro Silvio Berlusconi; para os sul-africanos, um Jacob Zuma; e para os tailandeses, um Thaksin Shinawatra. A América Latina é, em larga medida, o berço de figuras desse tipo: para os argentinos, o sujeito é um eco de Juan Perón. Quem se assusta com Donald Trump às vezes o compara com os brutamontes fascistas da Europa dos anos 30. A busca pelo verdadeiro precursor de Trump nasce do afã, perfeitamente compreensível, de descobrir o que vem por aí.

Eis aqui uma previsão: Trump, que subirá ao palanque da convenção do Partido Republicano, em Cleveland, para ser ungido como seu candidato à presidência dos Estados Unidos, exercerá sobre o partido uma influência mais duradoura do que atualmente imagina a elite da agremiação, mesmo que perca a eleição em novembro.

Por ora, a maioria dos republicanos descarta essa possibilidade ou a trata com descaso. “Não acho que a nomeação de Trump leve a uma efetiva reformulação das bandeiras do partido da centro-direita americana”, disse à National Public Radio o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, em entrevista concedida depois do encerramento das primárias. “Querem saber? Acho que o nosso partido vai se beneficiar de algo diferente, algo novo”, afirmou à CNN um esperançoso Reince Priebus, presidente do Comitê Nacional Republicano.

Paul Ryan, que vinha criticando Trump desde o início da campanha, publicou um artigo no jornal de sua cidade, Janesville, no Estado de Wisconsin, em que diz: “No tocante aos temas que fazem parte do nosso programa, temos mais pontos de concordância do que divergências”.

Para os que assistirem à convenção, que começa segunda-feira, talvez nada do que esteja acontecendo pareça extraordinário. O partido está se unindo, como costuma fazer, em torno de seu candidato. Antes da realização das prévias que abriram a campanha, em Iowa, o Instituto Gallup informava que Trump já era conhecido por 91% dos americanos. A esse conhecimento somou-se entre os eleitores mais à direita a identificação. Mas o fato é que o que está acontecendo com o Partido Republicano não tem nada de normal.

O partido está nomeando um candidato desprovido de todas as principais características que fazem de alguém um republicano. De fato, em Trump se combinam tradições com as quais tanto republicanos como democratas vez por outra já flertaram, para então rejeitá-las ao chegar ao governo. Uma delas é o populismo, que nos EUA geralmente significa prometer melhorar a vida dos trabalhadores menos qualificados com a adoção de medidas que os protejam da competição externa, seja sob a forma da imigração ou do comércio exterior.

Pat Buchanan, que participou da disputa pela candidatura republicana em 1992 e 1996, declarou em sua primeira tentativa: “Se eu fosse presidente, mandaria o Exército erguer uma cerca de arame farpado que impediria a passagem de 95% dos imigrantes ilegais. Acho que dá para fazer”.

Quatro anos depois, Buchanan, que estudou nas universidades de Georgetown e Columbia, anunciou sua intenção de lutar pela causa dos camponeses, que vinham chegando com seus forcados. Ross Perot, que concorreu à presidência em 1992 como candidato independente, explorava outro elemento presente na arenga de Trump: o empresário bem-sucedido que diz que vai acabar, de uma vez por todas, com “a transferência indecente” de empregos americanos para o México – o bilionário que se compromete em acabar com a competição.

Uma voz solitária. A segunda ameaça que Trump personifica é a do isolacionismo. Seu bordão “a América em primeiro lugar” é, de forma consciente ou não, tomado de empréstimo de Charles Lindbergh, cujo America First Committee (Comitê pela América em Primeiro Lugar) foi organizado para lutar contra a participação dos Estados Unidos na 2.ª Guerra. Nesse aspecto, as declarações de Trump carecem de consistência: em certas ocasiões, o magnata lamenta o envolvimento dos EUA em guerras pelo mundo afora; em outras, manifesta o desejo de se apropriar dos campos de petróleo de outros países. A ideia de que é importante manter tropas americanas estacionadas no exterior, mas que os países que as recebem deveriam pagar por isso, sintetiza os instintos antagônicos que moldam o modo como o candidato vê a relação dos EUA com o restante do mundo

A terceira faceta é a xenofobia. Para Trump, nem todos os cidadãos dos EUA são igualmente americanos. Daí sua alegação de que as origens hispânicas do juiz Gonzalo Curiel, que nasceu em Indiana, impedem que ele julgue com imparcialidade a ação em que uma das empresas do magnata é acusada de fraude.

Sua proposta de deportar os 11 milhões de imigrantes ilegais que há nos EUA é pura fantasia nativista e lembra o entusiasmo pelas deportações de Art Smith, outro político antiestablishment dos anos 1930. Smith, que era de fato fascista, defendia que os radicais de esquerda fossem expulsos do país. A chance de que o fascismo prosperasse nos EUA foi posta à prova em 1933, quando, depois do assassinato de um manifestante num comício, Smith propôs uma marcha rumo a Washington. O movimento, bravateou ele, reuniria 1,5 milhão de pessoas. Só 44 deram as caras.

Populismo, isolacionismo e xenofobia são diferentes de racismo. Mas com frequência podem ser encontrados na mesma prateleira. No fim do século 19, quando operários chineses eram trazidos para a Califórnia para trabalhar na construção de ferrovias, o líder trabalhista Denis Kearney fez carreira atacando os “chinas”, preparando o terreno para a aprovação do Chinese Exclusion Act, de 1882, primeiro de uma série de dispositivos legais que interromperam a vinda de imigrantes da Ásia.

Kearney não se incomodava apenas com o fato de que os chineses se dispusessem a ser remunerados por salários inferiores aos dos trabalhadores americanos. Também achava sua alimentação, seus hábitos e sua organização doméstica repugnantes. “Vivem com o rabo entre as pernas, numa docilidade abjeta. São vis, desprezíveis, abaixam a cabeça para tudo. E parecem nem ter sexo. Rapazes e moças trabalham; é como se para eles não houvesse diferença.”

Ao dizer que o México não está apenas destruindo o meio de vida dos trabalhadores americanos (em razão do Nafta), mas também enviando traficantes de drogas e estupradores pela fronteira, Trump se comporta como um Kearney do século 21. Quando é acusado de racismo, o magnata responde que adora os hispânicos e quer ser adorado por eles. Os que o apoiam ouvem apenas o que querem ouvir.

Da luz do dia para as trevas da noite. Por outro lado, como todo populista de sucesso, Trump é também um homem de seu tempo. Em 1984, os eleitores foram convencidos de que os EUA viviam uma nova alvorada; em 2016, parecem dispostos a acreditar que é hora do crepúsculo. Dois terços dos americanos dizem que o país está no rumo errado. Desde a primeira eleição de Ronald Reagan, em 1980, tornou-se quase um clichê dizer que o candidato mais otimista geralmente vence a disputa. Trump inverteu a lógica ao declarar durante as primárias: “Este país virou um inferno”. Notícias chocantes parecem confirmar a tese, e conferem vigor à candidatura do republicano. O massacre de Dallas é o exemplo mais recente, mas o mesmo pode ser dito dos atentados de Orlando e de San Bernardino.

A proposta de Trump que mais faz sucesso – superando em popularidade até a Grande Muralha do Texas – é a de impedir a entrada de muçulmanos no país. Pesquisas de boca de urna realizadas durante as primárias republicanas mostram que os eleitores estão mais preocupados com o terrorismo do que com a imigração. Quando se soma isso à ansiedade causada pelas transformações por que vêm passando a composição racial da sociedade americana, entende-se por que cerca de dois terços dos republicanos que votaram nas primárias apoiam o fechamento das fronteiras para os muçulmanos.

Ainda que grande parte das mensagens de Trump cheire a bolor, a forma como ele as veicula não tem nada de antiquada. Seu domínio das mídias eletrônicas e digitais lembra o padre católico Charles Coughlin, cujo programa de rádio chegou a ter, no auge de sua popularidade, durante a década de 30, cerca de 30 milhões de ouvintes. Em 1936, Coughlin fundou o Partido da União e apoiou Huey Long, um populista de esquerda que propugnava a criação de um Estado corporativo para proteger os trabalhadores da crueldade do capitalismo.

Mas é impossível descolar Trump do universo dos reality shows, onde o bilionário aperfeiçoou sua técnica do olhar fulminante com o dedo em riste. Da mesma forma, não há como dissociar o magnata das redes sociais, a que ele às vezes recorre para transmitir seus pontos de vista – quando não prefere apenas insinuá-los.

Trump tem o poder de dizer coisas que não são verdade, mas que mesmo assim parecem corretas aos olhos de quem o apoia. Compartilhadas nas redes sociais por gente que pensa como ele, essas aleivosias têm servido de combustível para aquilo que o historiador Richard Hofstadter chamava de “estilo paranoide de fazer política”, pautado por crenças aparentemente sinceras em conspirações implausíveis.

Os comentários que Trump fez depois do massacre de Orlando, insinuando que Barack Obama talvez cultivasse uma simpatia dissimulada pelo Estado Islâmico, são um exemplo perfeito do estilo paranoide de fazer política.

Mas, em comparação com os tipos que o antecederam, a maior novidade de Trump é que ele vai encabeçar a chapa presidencial de um dos dois principais partidos políticos dos EUA. Isso o põe numa categoria à parte e lhe dá uma oportunidade muito maior de influenciar os rumos do país. É o que certamente acontecerá se o republicano vencer a eleição de novembro. Mas, mesmo que seja derrotado, como hoje parece provável que aconteça, são grandes as chances de que Trump deixe uma marca indelével na política americana.

Alguns políticos anti-establishment conseguiram ser indicados como candidatos à Casa Branca, perderam a eleição e ainda assim contribuíram decisivamente para transformar seus partidos. Entre 1896 e 1908, o democrata William Jennings Bryan foi três vezes derrotado com uma plataforma que propunha a criação de um imposto de renda federal, a eleição direta para senadores, a extensão do sufrágio às mulheres, entre outras coisas que, por ocasião de sua morte, em 1925, já haviam se tornado lei. Dois exemplos mais recentes de candidatos que tiveram destino semelhante merecem um exame mais detido.

O primeiro é George McGovern, candidato democrata na eleição de 1972, quando perdeu para Richard Nixon em 49 dos 50 Estados americanos. Um dos motivos de derrota tão fragorosa é que o Partido Democrata de McGovern parecia ter valores diferentes dos cultivados naquela altura pela maioria dos americanos.

Em seu livro sobre o período, o historiador e jornalista Rick Perlstein relembra como, na convenção de 1972, as câmeras de TV focalizaram demoradamente dois homens vestidos com camisas roxas, em que se liam as palavras “poder gay”, trocavam beijos. Também foi essa a primeira convenção em que um homossexual declarado, Jim Foster, subiu ao palanque para discursar. Entre outras propostas, McGovern queria que todos os americanos tivessem direito a uma renda básica, garantida pelo governo. No dia seguinte à eleição, ao ver que só haviam vencido em Massachusetts, muitos democratas concluíram que jamais conquistariam a Casa Branca com um candidato como McGovern.

Vista com os olhos de hoje, a campanha democrata de 1972 parece mais prematura que equivocada. É o que dizem John Judis e Ruy Teixeira, autores de The Emerging Democratic Majority (A Emergente Maioria Democrata), publicado em 2002. “A vingança de George McGovern” é o título de um dos capítulos do livro. McGovern tinha forte penetração entre os eleitores não brancos: segundo o Instituto Gallup, em 1972, 87% deles votaram no democrata, porcentual mais elevado do que o obtido por Obama em 2012.

Do início dos anos 70 para cá, o aumento acelerado da diversidade racial do eleitorado americano fez com que a estratégia, que então parecia fadada ao fracasso, se tornasse vitoriosa.

Considerando os eleitores que tinham alguma atividade econômica, o desempenho de McGovern foi melhor entre as mulheres e os profissionais especializados do que entre os homens e os trabalhadores de baixa qualificação. Isso também contribuiu para sua derrota em 1972, mas serviu de guia para as vitórias democratas de 2008 e 2012.

Universitários. As pesquisas indicam que Hillary Clinton talvez venha a ser a primeira candidata democrata, em pelo menos 60 anos, a obter a maioria dos votos dos eleitores brancos com diploma universitário.

Antes de McGovern, o republicano Barry Goldwater também levara uma surra eleitoral e, com ela, ajudara a mudar seu partido. Em 1964, com uma plataforma que propunha grandes cortes de impostos, enxugamento radical do governo federal, oposição aos direitos civis e combate ao comunismo no exterior, Goldwater foi derrotado em 44 Estados. “Extremismo em defesa da liberdade não é defeito”, disse ele aos convencionais republicanos reunidos em Daly City, na Califórnia.

Os eleitores discordaram. E não mudaram de ideia nem quando o então apresentador de TV Ronald Reagan defendeu a candidatura de Goldwater num discurso transmitido pela televisão. O futuro das ideias de Goldwater não parecia promissor. “A eleição lançou uma pá de cal sobre a escola de reação política de Goldwater”, escreveu Richard Rovere na New Yorker, refletindo o sentimento prevalecente no interior daquela que hoje seria chamada de grande mídia, mas que na época atendia apenas pelo nome de imprensa. O equívoco não poderia ter sido maior.

Tal como aconteceu com a derrota de McGovern, num primeiro momento os republicanos passaram a escolher candidatos com visões de governo mais tradicionais. O bom desempenho de Goldwater nos rincões do Sul, impulsionado por sua oposição aos direitos civis, pela popularidade do governador segregacionista do Alabama, George Wallace, e pela preocupação crescente com a manutenção da lei e da ordem e com as transformações culturais por que passavam os EUA, deu frutos na eleição de 1968, quando Richard Nixon roubou milhões de eleitores dos democratas para formar uma “nova maioria”. Ela era constituída, nos grandes centros urbanos, por irlandeses, italianos e poloneses católicos, e pelos brancos protestantes no Sul, no Meio Oeste e nas zonas rurais do país.

Hegemonia goldwateriana. Em 1980, o traço conservador da plataforma de Goldwater já dominava o partido. Reagan venceu a disputa pela candidatura republicana e depois a eleição propondo realizar cortes nos impostos, reduzir o tamanho do governo e combater o comunismo no exterior. Até o ano passado, podia-se dizer que Goldwater ainda fornecia o arcabouço intelectual do Partido Republicano: foi justamente o fato de George W. Bush, com seu conservadorismo combinado com intervencionismo estatal, ter se distanciado muito desse ideário que o tornou impopular entre tantos republicanos. Com Trump encabeçando a chapa republicana, a hegemonia goldwateriana, que se estendeu por 35 anos, está ameaçada.

Como será o Partido Republicano sob a influência de Trump? Daqui a “cinco ou dez anos”, disse ele à Bloomberg News, “teremos um partido de trabalhadores, um partido de pessoas que passaram 18 anos sem receber nenhum aumento real de salário e estão profundamente insatisfeitas”. Falando em junho na Pensilvânia, o bilionário disse que os trabalhadores americanos foram traídos pela elite política e financeira do país, que “tiraram das pessoas os meios que elas tinham para garantir seu sustento e o de suas famílias”.

Isso representa uma inversão total da ortodoxia republicana dos últimos 30 anos, que combinava a defesa do livre comércio e a propensão a cortar gastos sociais não discricionários com posições conservadoras em temas sociais. Os que acham que, se Trump perder, o partido retomará essa ortodoxia não estavam suficientemente atentos durante as primárias, quando se evidenciou que, de modo geral, as preocupações com o enxugamento da máquina estatal e com questões envolvendo valores são bem menos caras aos eleitores republicanos do que a seus representantes.

Segundo levantamento realizado pelo Pew Research Centre, entre os americanos que tendem a votar em candidatos republicanos, a opinião de que os acordos de livre comércio são prejudiciais aos EUA é mais comum do que entre aqueles que tendem a votar em candidatos democratas. O mesmo levantamento mostra que atualmente os eleitores republicanos são tão avessos a cortes nos benefícios da seguridade social quanto os democratas. Isso ajuda a explicar por que, durante as primárias, o palavrório de Trump convenceu mais do que a ladainha da redução de impostos e os sermões à la Velho Testamento, típicos dos estertores do período goldwateriano.

Além de pôr a ortodoxia republicana de pernas para o ar, a campanha de Trump também deu de ombros para a estratégia eleitoral do partido. Da derrota de Mitt Romney, em 2012, à vitória de Trump na Carolina do Sul, em fevereiro, tudo indicava que, para conquistar a Casa Branca, os republicanos precisavam de um candidato que tivesse bom desempenho junto ao eleitorado hispânico: daí o entusiasmo com a candidatura de Jeb Bush, cuja mulher é mexicana, e depois com Marco Rubio, cujos pais nasceram em Cuba. No fim das contas, o partido escolheu um candidato cujo índice de rejeição entre os hispânicos chega a 87%.

Desse jeito, os republicanos parecem caminhar para uma série de derrotas nas próximas eleições presidenciais. De fato, pode ser que isso aconteça. Mesmo com a imigração em baixa, para os padrões históricos, os demógrafos preveem que até meados do século a população americana será composta majoritariamente por indivíduos não brancos. Um vagalhão demográfico desse porte deve arrastar os republicanos para o fundo do oceano, mantendo-os debaixo d’água até que percam de vez os sentidos.

Acontece que eleitorado e população não são a mesma coisa, já que nem todos os eleitores têm a mesma propensão a comparecer às urnas. Mesmo em 2012, uma eleição em que as minorias sociais foram às urnas em números recordes, a proporção de eleitores brancos era a mesma que se observava no conjunto da população americana 20 anos antes. Três demógrafos – Teixeira e Rob Griffin, do Centre for American Progress, e Bill Frey, do Brookings Institute – fizeram uma simulação para verificar o que aconteceria se o Partido Republicano conseguisse ampliar em 5% o comparecimento dos eleitores brancos, com a taxa de comparecimento de todos os outros grupos de eleitores permanecendo inalterada.

Seria algo difícil de realizar, mas não impossível: em 2012, o índice de comparecimento dos eleitores brancos foi de 64%, o que mostra que há espaço para algum crescimento. O resultado do modelo eleitoral é que os republicanos estarão em vantagem no colégio eleitoral até 2024 – desse ano em diante, a estratégia não funciona mais.

É possível que um Partido Republicano à imagem e semelhança de Trump não vença tantas eleições presidenciais. Mas pode ser competitivo o bastante para resistir a reformas e eleger um número suficiente de deputados e senadores para obstruir os trabalhos do Congresso.

Com um candidato que trate os hispânicos com um pouco menos de hostilidade e adote um discurso mais palatável em relação às mulheres, o partido é capaz até de atrair algumas parcelas do eleitorado de esquerda que se opõem ao livre comércio e à globalização, ou que têm medo dos efeitos nocivos da imigração e da automação, criando um populismo em versão mais atualizada.

As coalizões sociais que por tanto tempo serviram de sustentação aos dois principais partidos americanos parecem frágeis. Em alguns temas sociais, em especial o do porte de armas, a posição dos democratas brancos sem ensino superior se aproxima mais da dos republicanos do que daquilo que o partido em que eles votam efetivamente defende. A coroação de Trump em Cleveland será o enterro de uma velha dinastia. Talvez seja também a fundação de uma nova linhagem de republicanos.

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