AP Photo/Fauzy Chaniago)
AP Photo/Fauzy Chaniago)

Sem alerta, tsunami deixa mais de 280 mortos e mil feridos na Indonésia

Erupção do vulcão Anak Krakatoa pode ter levado a movimentações embaixo d’água, que não são detectadas pelo sistema de aviso do país, e causou as ondas gigantes na região do Estreito de Sunda, entre as ilhas populosas de Java e Sumatra

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2018 | 22h14
Atualizado 24 de dezembro de 2018 | 08h07

JACARTA - Sem que fossem sentidos os usuais tremores costeiros que indicam a chegada de ondas gigantes ou emitidos sinais de alerta, um raro tsunami após uma erupção de vulcão avançou sobre portos pesqueiros e centenas de banhistas que estavam nas praias do sul da Ilha de Java e do oeste de Sumatra, na Indonésia. Pelo menos 281 pessoas morreram e este número pode aumentar à medida que as buscas são ampliadas.

O tsunami da noite de sábado, 22, pode ter sido provocado por um aumento repentino da maré após a erupção do vulcão Anak Krakatoa (“Filho de Krakatoa”, em indonésio), que forma uma pequena ilha no Estreito de Sunda. Ao menos mil pessoas ficaram feridas e 57 estão desaparecidas.

Especialistas alertaram para o risco de um outro tsunami causado pela atividade vulcânica. 

Ouystein Lund Andersen, um fotógrafo norueguês que estava de férias com a família na praia de Anyer e testemunhou o ocorrido, escreveu no Facebook que viu a onda chegando. “Entrou na área do hotel onde estou e jogou carros na estrada. Consegui levar minha família para um local mais alto através de trilhas de floresta e vilarejos, onde fomos socorridos por moradores. Felizmente, nenhum de nós ficou ferido”, escreveu. 

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil informou neste domingo, 23, que não havia recebido notícias sobre vítimas brasileiras.

O tsunami destruiu ou danificou ao menos 556 casas, 9 hotéis, 60 pequenos comércios e 350 barcos, afirmou Sutopo Purwo Nugroho, porta-voz da agência que lida com desastres. O Estreito de Sunda separa as ilhas populosas de Java e de Sumatra. 

 


Ondas que chegaram a cinco metros de altura sacudiram áreas residenciais e vários destinos turísticos ao longo das áreas costeiras do Estreito, incluindo Pangdeglang, Tanjung Lesung e Teluk Lada dan Carita. Imagens no Twitter mostram carros arrastados e ruas alagadas. A central de vulcanologia e geologia da Indonésia informou ter ocorrido uma erupção do Anak Krakatoa na noite de sábado. Igan Sutawijaya, especialista em vulcões e desastres geológicos, disse que a onda pode não estar diretamente ligada à erupção, mas foi uma consequência dela. “Suspeito que tenha havido um deslocamento de terra submarino, ou talvez uma rachadura”, disse ao Washington Post.

Segundo Nugroho, justamente por isso as autoridades não conseguiram alertar sobre o tsunami. “Não temos um sistema de alerta que seja ativado por movimentações embaixo d’água ou erupções vulcânicas”, explicou, acrescentando que agora as autoridades do país precisam pensar em como desenvolver tal ferramenta. 

Um vídeo mostra o tsunami avançando sobre um show da banda indonésia Seventeen. O palco oscilou para a frente, jogando músicos e instrumentos sobre a plateia em pânico.

A região mais afetada pelo tsunami foi Pangdelang, em Java, onde fica a praia de Tanjung Lesung. O local é muito visitado pelos moradores da capital Jacarta. Vídeos e imagens mostram carros virados, casas devastadas e muita destruição. 

Outro vídeo divulgado nas redes sociais mostra um policial resgatando um menino de cinco anos de uma residência danificada. Estradas da região foram bloqueadas pelas árvores caídas e destroços de casas. 

Em Carita, um popular destino turístico da costa oeste de Java, Muhamad Bintang, de 15 anos, lembra que viu a onda chegar. “Chegamos para as férias e logo a água chegou. Tudo ficou escuro. Não havia energia.”

Na Província de Lampung, do outro lado do Estreito, Lutfi Al Rasyid, de 23 anos, contou como fugiu da praia de Kalianda. “Não consegui ligar a moto, então saí correndo. Rezei e corri o mais rápido que consegui.”

O presidente indonésio enviou condolências às famílias dos mortos. O Anak Krakatoa continua ativo e a região deve ser evitada.

Em sua conta no Twitter, o presidente americano, Donald Trump, lamentou a devastação. "Rezamos por sua recuperação. Os Estados Unidos estão com vocês".

A ONU ofereceu por meio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), assistência ao governo da Indonésia para responder às necessidades humanitárias causadas pela tragédia. "Temos no local equipes especializadas de resposta a desastres que estiveram trabalhando por anos com a Indonésia para que (o país) esteja preparado para tais catástrofes", disse em Genebra o porta-voz do PMA, Herve Verhoosel.

De acordo com a organização, uma das medidas mais urgentes a serem tomadas depois de um fato deste tipo é a instalação de cozinhas comunitárias para dar o que comer aos que perderam as residências. Verhoosel afirmou que especialistas em logística podem ajudar a transportar alimentos e pessoal humanitário às áreas afetadas pela catástrofe. "Quando recebemos um pedido deste, nossos especialistas trabalham com o governo para avaliar os danos às zonas afetadas e apoiar suas ações", explicou. / W. POST, NYT, AFP e EFE

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