Tsunami no Japão pode ter matado 15 mil só na região mais atingida, diz polícia

Com efeito devastador em Miyagi, já se estima que o número de mortos no desastre natural poderia superar 20 mil.

BBC Brasil, BBC

20 de março de 2011 | 13h30

A polícia na região japonesa de Miyagi, a mais atingida pelo terremoto e o tsunami do último dia 11, estimou neste domingo que até 15 mil pessoas possam ter morrido só na sua jurisdição.

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Os números não incluem as fatalidades que também estão sendo contabilizadas nas áreas atingidas ao norte e ao sul, razão pela qual já se fala em 20 mil mortos na maior tragédia a atingir o Japão desde a Segunda Guerra Mundial.

Por ora, as estatísticas oficiais não param de subir. O número confirmado de mortos já se aproxima de 8,5 mil e o de desaparecidos, de 13 mil. Cerca de 360 mil pessoas abandonaram suas casas e 26 mil foram resgatadas.

As autoridades deram início à construção de casas temporárias para atender a parte das centenas de milhares de pessoas - incluindo 100 mil crianças - atualmente abrigadas nos centros de emergência montados pelo governo.

Os sobreviventes estão enfrentando temperaturas abaixo de zero e carência de água, eletricidade, combustível e até alimentos. Para fazer uma ligação gratuita de um minuto para familiares, eles têm de enfrentar horas na fila, porque a rede de telefonia móvel entrou em colapso.

Esforços

Na usina nuclear de Fukushima, danificada pela tragédia, os técnicos continuaram a lançar jatos de água nos reatores que contêm os bastões de combustível nuclear para evitar um perigoso derretimento.

Os engenheiros reconectaram linhas de energia aos reatores 1 e 2, mas ainda não está claro quando a energia poderá ser religada.

Ao restaurar a energia, as autoridades pretendem retomar o processo de injeção de água para resfriar as estruturas.

Entretanto, a agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) advertiu que, mesmo com o restabelecimento do fornecimento de energia para os dois reatores, é possível que as bombas de água que resfriam os reservatórios de combustível tenham sido permanentemente danificadas.

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Alguns especialistas crêem que a operação de usar caminhões-pipa para lançar água pode ter de continuar por vários meses.

Após ter sido reconectados à energia no sábado, os reatores 5 e 6 da usina foram resfriados, informou a agência de notícias Kyodo News.

As informações são de que os esforços continuam para resfriar os reatores 3 e 4 da usina.

Radiação

No sábado, o governo japonês informou que foram detectados níveis de iodo radioativo mais altos do que o permitido pela legislação japonesa na água encanada de uma cidade na província de Fukushima.

Em outras cidades da região, encontrou-se níveis altos de iodo radioativo também no leite e em alguns vegetais, aumentando a preocupação do governo com a contaminação, segundo a Kyodo News.

De acordo com a AIEA, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar do Japão proibiu a venda dos produtos e está realizando mais testes.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que o governo decidirá na segunda-feira se restringe o consumo e o envio de alimentos provenientes de Fukushima e regiões vizinhas.

As autoridades japonesas elevaram de 4 para 5 o grau de seriedade do acidente nuclear, em uma escala internacional que vai de 1 a 7.

A crise, até então considerada local, está sendo considerada como um problema de consequências potencialmente abrangentes. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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