Tuaregues declaram separação do Mali

Rebeldes supostamente ligados à Al-Qaeda proclamam independência da região de Azawad, vasta porção desértica do território malinês

BAMAKO, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2012 | 03h02

Rebeldes tuaregues que assumiram o controle de boa parte do norte do Mali depois que soldados descontentes depuseram o governo no sul declararam ontem a independência da região de Azawad, cimentando a divisão da ex-colônia francesa enquanto seus vizinhos elaboram planos para medidas militares com o objetivo de lidar com a crise dupla, do golpe e da secessão.

A declaração de independência foi feita 24 horas depois de os rebeldes do norte anunciarem um cessar-fogo, dizendo terem concluído as operações militares depois de atingir os objetivos estipulados - a captura de uma série de povoados num avanço relâmpago pelo desértico norte do país.

Em sua página na internet, o Movimento Nacional pela Libertação de Azawad (MNLA) disse ter proclamado "irrevogavelmente o Estado independente de Azawad, a partir do dia de hoje, 6 de abril de 2012".

A declaração dizia que os rebeldes reconhecem a inviolabilidade de suas fronteiras com os países vizinhos e foi prometida a preparação de uma Constituição democrática.

A proclamação deve alarmar as potências ocidentais, que manifestaram o temor de que militantes islâmicos alinhados com os separatistas tentem transformar os remotos e empobrecidos rincões do norte de Mali num reduto do braço local da Al-Qaeda.

Na tentativa de legitimar sua declaração, os rebeldes citaram ontem a carta das Nações Unidas e as ambições separatistas que remontam a 1958, dois anos antes da independência do Mali em relação à França, insistindo às potências estrangeiras que reconhecessem Azawad como um novo país.

Mas esse reconhecimento parecia distante em meio ao caos que se seguiu ao golpe dado no dia 22, em Bamako, capital malinesa, onde os principais partidos políticos do Mali se recusaram a participar de uma conferência nacional convocada pela junta militar. O líder da junta, capitão Amadou Haya Sanogo, prometeu ontem entregar o poder ao chefe do Legislativo, mas não deu uma data para isso.

A França desconsiderou a declaração de independência ontem e o ministro francês da Defesa, Gérard Longuet, disse que uma declaração unilateral "que não seja reconhecida pelos Estados africanos não terá significado". A Argélia, que divide com o Mali uma fronteira desértica, teria se oposto ontem à partilha do país vizinho.

Em entrevista ao jornal francês Le Monde, o primeiro-ministro Ahmed Ouyahia, da Argélia, disse que seu país era favorável a uma solução para a crise no Mali por meio do diálogo. / THE NEW YORK TIMES

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