Sharalaine Robles Gonzales/AP Photo
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Número de mortos por passagem do Tufão Goni nas Filipinas sobe para 20

Autoridades falam de condições catastróficas em algumas regiões; outra tempestade ganha força no Oceano Pacífico e deve atingir o arquipélago novamente

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2020 | 08h50
Atualizado 02 de novembro de 2020 | 10h52

MANILA - Pelo menos 20 pessoas morreram após a passagem do super tufão Goni na região de Bicol, ao sudeste ilha de Luzón, nas Filipinas, neste domingo, 1º, incluindo uma criança de cinco anos arrastada pelas enchentes após o rompimento de diques, disse um governador de província. Este tufão foi o mais potente a atingir o país neste ano.

Autoridades falam de condições "catastróficas" em algumas regiões, após terem retirado mais de 300 mil pessoas de suas casas.  Vídeos de canais de notícias e redes sociais mostraram tempestades em algumas cidades costeiras, rios transbordando e diques destruídos, submergindo vilas na região de Bicol.

Algumas casas foram soterradas por fluxos de lama vulcânica e o fornecimento de energia e o serviço de comunicações foram interrompidos. Em Bicol, o tufão Goni atingiu a costa duas vezes, disse o governador Al Francis Bichara.

Poucas horas antes de chegar ao arquipélago, Goni entrou na categoria de supertufão, mas ao avançar na ilha de Luzón, em direção a Manila, perdeu forças, segundo a agência meteorológica filipina.

A tempestade enfraqueceu ainda mais depois de provocar um terceiro desmoronamento de terra no sul de Luzón, mas a agência meteorológica alertou que outro ciclone, a tempestade tropical Atsani, entrou no país e pode ganhar força.

A tempestade mais forte do mundo neste ano, o supertufão atingiu inicialmente as províncias do leste, causou um outro desmoronamento de terra na província de Quezon antes de enfraquecer com 165 km/h e ventos e rajadas de até 230 km/h.

“Os ventos são ferozes. Podemos ouvi-los batendo nas árvores”, disse Francia Mae Borras, 21, à AFP de sua casa na cidade costeira de Legazpi, na província de Albay.

No final da tarde, Goni foi visto movendo-se em direção às províncias de Batangas e Cavite, ao sul da capital Manila, onde os residentes podiam experimentar “ventos destrutivos e chuvas intensas” durante a noite, disse a agência meteorológica.

Em Quezon, o governador Danilo Suarez disse que o fornecimento de energia foi cortado em 10 cidades quando Goni derrubou árvores. Cerca de 350 mil pessoas estavam em centros de evacuação, disse o chefe de gerenciamento de desastres Ricardo Jalad, reduzindo o número de quase um milhão relatado pela agência no sábado.O presidente Rodrigo Duterte estava monitorando a resposta do governo ao desastre de sua cidade natal, a cidade de Davao, no sul, disse o porta-voz presidencial Harry Roque.

Pandemia prejudica situação

Autoridades de saúde lembraram aos evacuados de observar o distanciamento social à medida que o coronavírus se espalha também é uma preocupação. A crise de saúde complica ainda mais a situação, uma vez que muitos recursos emergenciais já estão alocados no combate ao coronavírus.

O arquipélago registrou oficialmente mais de 378 mil casos de covid-19 e 7.100 mortes. Doentes com coronavírus que estavam sendo tratados em barracas também foram transferidos.

Mary Ann Echague, 23, e seus dois filhos, bem como seus pais e irmãos, fugiram de sua casa em Legazpi para se refugiar em uma escola onde dividem uma sala de aula com várias famílias.

A família, já vítima de outros tufões, levou fogão, carne enlatada, macarrão instantâneo, café, pão, travesseiros e cobertores. “Cada vez que um tufão nos atinge, nossa casa fica danificada, pois é de madeira e tem cobertura de chapa metálica”, afirma.

Outro tufão pode atingir as Filipinas

Centenas de pessoas ficaram presas depois que a guarda costeira ordenou que balsas e barcos de pesca permanecessem atracados, pois eram esperadas ondas de até 15 metros na costa. Goni deve enfraquecer "consideravelmente" ao passar pela ilha de Luzón antes de chegar ao Mar da China Meridional na segunda-feira, de acordo com serviços meteorológicos.

Mas outro tufão ganha força no Oceano Pacífico e deve atingir o arquipélago novamente. Os filipinos são afetados a cada ano por uma média de vinte tempestades tropicais e tufões, que destroem plantações, casas precárias e infraestrutura, mantendo populações inteiras na pobreza permanente.

A pior tempestade da história recente foi em 2013. O tufão Haiyan matou mais de 7.300 pessoas, principalmente na cidade central de Tacloban, que foi submersa por ondas gigantes. /AFP, Reuters

 

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