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Tuíte de 2010 de japonês executado pelo EI vira viral

'Odiar não é o papel dos humanos, o julgamento de Deus prevalece', escreveu na rede social o jornalista Kenji Goto há quatro anos; ele e outro refém japonês foram decapitados pelos terroristas

O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 06h00


TÓQUIO - Um antigo tuíte que pregava a paciência e rechaçava o ódio, escrito por Kenji Goto, o refém japonês executado na semana passada pelo grupo Estado Islâmico (EI), voltou a circular depois de seu assassinato e tornou-se um viral. 

"Feche os olhos e tenha paciência. Está tudo acabado quando se fica com raiva ou grita. É quase como rezar. Odiar não é o papel dos humanos, o julgamento de Deus prevalece. Meus irmãos árabes me ensinaram isso."

Essa mensagem, em japonês, no qual não se sabe o contexto ou o motivo, foi escrito por Goto em setembro de 2010. Ele foi retuitado mais de 26 mil vezes, mas o fenômeno continua crescendo à medida em que os meios de comunicação o divulgam. 

Por outro lado, o secretário-geral do governo, Hiroshige Seko, afirmou na noite de segunda-feira na televisão que o Ministério das Relações Exteriores do Japão telefonou duas vezes para Goto, em setembro e outubro, para pedir-lhe que desistisse de fazer a viagem para a Síria. 

O jornalista, que tinha por objetivo salvar seu amigo Haruna Yukawa, nas mãos do EI desde agosto, deixou o Japão e entrou para a zona controlada pelos jihadistas no dia 24 de outubro. 

Antes, ele gravou um vídeo em que insistiu no caráter pessoal de sua iniciativa e que ele era totalmente responsável por sua decisão. "Correspondia ao Estado proteger sua vida, não cabia debater sobre a responsabilidade pessoal", ponderou Seko. 

Capturado entre o fim de outubro e o início de novembro, Goto reapareceu no dia 20 de janeiro, ao mesmo tempo em que Yukawa, em um vídeo da organização terrorista, que pedia US$ 200 milhões por sua libertação. "Nunca tivemos a intenção de pagar o resgate", afirmou o porta-voz do governo, Yoshihide Suga. 

Os dois reféns japoneses foram decapitados com uma semana de intervalo, após as várias ameaças do EI. / AFP 

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