Emilio Espejel/AP
Emilio Espejel/AP

Tulum, paraíso mexicano vira point de festas clandestinas em meio à pandemia

Conhecida por suas águas cristalinas e seu conceito "hippie", a pequena Tulum era frequentada antes da pandemia por viajantes que buscavam relaxamento e contato com a natureza

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2021 | 20h00

TULUM, MÉXICO - Festivais de música eletrônica, festas clandestinas, discotecas onde não se usam máscaras. Tulum e outros destinos no Caribe mexicano se tornaram um paraíso para os turistas que desprezam os riscos da covid-19. 

Conhecida por suas águas cristalinas e seu conceito "hippie", a pequena Tulum era frequentada antes da pandemia por viajantes que buscavam relaxamento e contato com a natureza. 

Mas há projetos para torná-la uma das maiores referências em festivais de música eletrônica no México, o terceiro país mais atingido pela pandemia, com 196 mil mortes. 

“O coronavírus é bobagem, a vida tem que continuar, não dá nada”, disse Greta, uma espanhola que compareceu a uma 'rave' em dezembro. 

Para outros, as festas são motivo de preocupação e a cidade de 46 mil habitantes é alvo de críticas por suas medidas sanitárias negligentes. 

O movimento aumentou a partir do final de 2020, quando foram realizados encontros de música e arte, em alguns casos, com mais de mil participantes.

Nas últimas duas semanas, foram organizadas 21 festas privadas, descobertas pela Agência France-Presse em grupos que as promovem no WhatsApp. 

Ao contrário de outros países, o México não restringiu o turismo e foi o terceiro mais visitado em 2020. 

Em destinos como Cancún, a vital indústria hoteleira ainda oferece descontos para a quarentena se os hóspedes forem infectados.

Segue o baile

Após o contágio de cinquenta participantes do festival Art With Me em novembro, do qual participaram até autoridades, o Zamna Festival, evento de música eletrônica de 16 dias que aconteceria entre dezembro e janeiro, foi cancelado. 

A festa foi remarcada para abril, com anúncios de djs renomados como o alemães Boris Brejcha e Claptone e os ingleses Nick Warren e Damian Lazarus. 

A organização explica em seu site que é necessário usar máscara durante o evento. 

Quintana Roo, Estado onde estão Tulum, Cancún e Riviera Maia, está em um alerta amarelo, a segunda fase de uma escala de risco em quatro níveis. 

Neste Estado, onde se prevê a chegada de centenas de milhares de visitantes na época da Páscoa, os bares e discotecas continuam fechados e os eventos em massa estão proibidos. 

No entanto, grandes festas continuam a ser realizadas clandestinamente, afirma o setor hoteleiro, insatisfeito com as multidões. David Ortiz, presidente da Associação de Hotéis de Tulum, afirmou que esses eventos "mancham" a imagem do lugar. 

O empresário disse que já foi assinado um acordo com a câmara municipal e que será apresentada ao parlamento local uma "iniciativa de cidadania" para endurecer as sanções a quem descumprir as restrições. /AFP

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