Tumulto em Uganda deixa três mortos

Soldados abrem fogo contra multidão após incêndio em tumba de antigos reis

AE-AP, Agencia Estado

17 de março de 2010 | 13h34

Soldado dispara durante tumulto em Kampala. Foto: James Akena/Reuters  

KAMPALA - Forças de segurança de Uganda mataram pelo menos três pessoas ao abrirem fogo contra uma multidão em meio a distúrbios provocados por um incêndio que destruiu a tumba de cinco antigos reis de uma tribo local, afirmou o ministro da informação do reino de Buganda, Lubega Segona. Além das três vítimas, diversas pessoas sofreram ferimentos causados pelos tiros disparados por membros da guarda presidencial do país.

De acordo com o ministro, os agentes abriram fogo quando membros de sua tribo tentaram impedir o presidente Yoweri Museveni de verificar as tumbas depois do incêndio que as destruiu. "Os mortos faziam parte da multidão que tentava impedir os guardas de entrarem no lugar onde ficavam as tumbas", disse Segona. "Os guardas abriram fogo, mataram três pessoas e feriram diversas outras."

Kale Kaihura, inspetor-geral da polícia local, denunciou os disparos e informou que a polícia vai investigar o caso. "Instruí o departamento de inquérito criminal a investigar todos aqueles que atiraram nas pessoas", disse. "Todos os envolvidos serão detidos e punidos."

Mais cedo, uma multidão havia atacado policiais, soldados e bombeiros ugandenses depois de um incêndio ter destruído as tumbas de cinco antigos reis da região de Buganda durante a noite. George Senvuma, um representante local, afirmou acreditar que o governo de Uganda seja o responsável pelo incêndio. A polícia nega a acusação.

As relações entre o governo central de Uganda e o reino de Buganda são bastante turbulentas. Em setembro do ano passado houve distúrbios entre membros do reino e agentes de segurança em Kampala. Na ocasião, o governo havia proibido o rei de Buganda de visitar uma área próxima da capital com base em "questões de segurança". O episódio foi amplamente visto como um insulto ao monarca. Mais de 20 manifestantes morreram no episódio.

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