Tumultos deixam um morto e 62 feridos na Tunísia

O presidente, o primeiro-ministro e o chefe do Parlamento da Tunísia condenaram em comunicado conjunto, nesta quarta-feira, extremistas islâmicos pelos quatro dias de motins e tumultos nas ruas que deixaram um estudante universitário morto, 62 policiais feridos e levaram à detenção de 160 pessoas. No domingo, os confrontos começaram quando os salafistas atacaram uma galeria de arte em um subúrbio de Túnis, destruindo uma mostra que eles afirmavam ter ofendido o Islã. Após a polícia ter dispersado os extremistas com gás lacrimogêneo, gangues de islamitas atacaram delegacias da polícia ao redor do país. O governo impôs toque de recolher, que vigorou durante a madrugada de hoje.

AE, Agência Estado

13 de junho de 2012 | 14h33

Na cidade costeira de Sousse, o estudante universitário Fehmi Aouini, de 22 anos, morreu nesta quarta-feira, após ter levado um tiro na cabeça durante um confronto entre a polícia e os salafistas, informou o Hospital Farhat Hached. Os grupos religiosos conservadores convocaram novos protestos para a sexta-feira, dia islâmico de preces. O comunicado conjunto da presidência, gabinete de governo e Parlamento condenou "grupos extremistas" não identificados pelas "ameaças às liberdades da Tunísia" e notou que esses confrontos ocorrem logo no momento em a situação política se estabiliza na Tunísia e a economia voltou a ser retomada, após a revolta que levou à queda do governante autoritário Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro de 2011.

O líder do partido governista islâmico Hizb al-Nahda (Partido Ennahda), Rachid Gannouchi, negou sugestões de que os motins que abalaram o país nos últimos dias sejam resultado de um chamado para a revolta feito pelo líder da rede terrorista Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri. "Al-Zawahiri não tem nenhuma influência na Tunísia. Esse homem é um desastre para o Islã e os muçulmanos", disse Gannouchi.

A galeria de arte, em La Marsa, ficou fechada desde o ataque. A galeria exibia uma caricatura de Meca e uma foto de uma mulher nua. O ministro da Cultura, Mehdi Mabrouk, disse que o governo apoia a liberdade de expressão, mas também se opõe a qualquer insulto à religião, o que seria uma referência à caricatura de Meca, cidade sagrada para o Islã.

O ministro do Interior, Ali Larayedh, acusou "extremistas da esquerda e da direita" de estarem por trás da violência. Ele disse que remanescentes do antigo regime e "gangues de criminosos" podem estar também envolvidos na violência e alertou que "ninguém está acima da lei". O governo, que é formado em parte por políticos que estavam na prisão durante o regime autoritário de Ben Ali, abordou a questão dos salafistas de maneira cautelosa, mas parece adotar uma linha mais firme contra os extremistas após os tumultos dos últimos dias.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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