Tumultos gregos expandem-se pelo continente

Jovens europeus também protestam na Espanha e na França

AP e Reuters, Atenas, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

Os distúrbios na Grécia desencadeados pela morte do jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, no sábado, entraram ontem em seu sexto dia e deram os primeiros sinais de que a violência está se expandindo para outros países da região. Desde o início da semana, jovens realizaram protestos na Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Rússia para apoiar as manifestações que tomaram conta de mais de dez cidades gregas.Algumas das manifestações parecem ter sido organizadas pela internet. O site no qual os manifestantes gregos atualizam suas reivindicações ganhou simpatizantes em cerca de 20 países. Bancos, lojas e delegacias de polícia foram destruídas em Barcelona e Madri na noite de quarta-feira. Pelo menos 9 pessoas ficaram feridas e outras 11 foram detidas. Em Copenhague, manifestantes arremessaram garrafas e tinta contra policiais no centro da cidade em um protesto que terminou com a prisão de 63 pessoas.Em Roma, um grupo concentrou-se na frente da embaixada grega, danificando carros da polícia e colocando fogo em outro veículo. Já na França, manifestantes incendiaram dois automóveis e uma lata de lixo na frente do consulado grego em Bordeaux, além de pichar o prédio da missão com ameaças de mais protestos. Em Berlim, mais de 15 pessoas ocuparam o consulado grego, carregando cartazes que culpavam o governo de Atenas pela morte do adolescente. Outro protesto atraiu cerca de 100 pessoas em Frankfurt.Segundo as autoridades, os incidentes registrados na região até agora são isolados, mas existe a preocupação de que os distúrbios na Grécia possam ser o ponto de partida para outros protestos de grupos contra a globalização e a crise financeira mundial."O que está ocorrendo na Grécia tende a provar que a extrema esquerda existe", afirmou Gerard Gachet, porta-voz do Ministério do Interior francês. "Neste momento, não podemos ir muito além com nossas conclusões e dizer que há um risco de contágio da situação grega na França, mas tudo está sendo observado."Ontem, os protestos em Atenas continuaram, aumentando a pressão sobre o governo conservador do primeiro-ministro Costa Karamanlis. Estudantes entraram em confronto com a polícia ao atacar 15 postos policiais e delegacias.Mais manifestações foram anunciadas para hoje e segunda-feira e, segundo analistas, muitos se perguntam até quando o governo do premiê agüentará no poder. "O cenário mais provável é que Karamanlis convoque eleições daqui a dois ou três meses", afirmou o professor de geopolítica Georges Prevelakis, da Universidade Sorbonne, em Paris.

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