Tumultos mostram frustração niilista de jovens urbanos

Jovens sem oportunidades, irados com o sistema e organizando-se com rapidez pelas mídias sociais, os arruaceiros de Londres mostram algumas características semelhantes às dos manifestantes pró-democracia da primavera árabe. Mas, enquanto os protestos do Oriente Médio marcharam na esperança de uma mudança positiva, a violência na Grã-Bretanha tem sido quase niilista, com o foco em saques e na decepção da juventude pobre das áreas urbanas.

Peter Apps,

10 de agosto de 2011 | 00h36

Por todo o mundo, a crise pode deixar toda uma geração com oportunidades muito aquém de suas aspirações, talvez até ao ponto em que a juventude abandone qualquer esperança de futuro. No mundo desenvolvido, a crise significa que os jovens enfrentam trabalhos iniciais mal remunerados em qualquer nível. Os benefícios e o auxílio-educação também estão sendo cortados.

No mundo em desenvolvimento, as oportunidades de emprego estão aumentando, mas as expectativas crescem mais depressa. Agora, a recessão torna esse desejo ainda mais frustrado. Nas economias que estão envelhecendo, os jovens ainda têm de financiar o aumento das contas sociais. Se o desencanto alimenta os distúrbios ou o crime, os incêndios de Londres sugerem que os protestos podem se tornar mais intensos nos próximos anos. "Os jovens não têm trabalho nem futuro. Pertencem a uma nova geração e não se importam com nada. Fique atento, a revolta está só começando", disse o eletricista Adrian Anthony Burns.

O tipo de insurgência quase espontânea que começou em Tottenham não é novidade. Queixas parecidas incendiaram os subúrbios de Paris, em 2005, as favelas sul-africanas e outros protestos urbanos, da China à América Latina. Mas duas dinâmicas agem agora como aceleradores: as mídias sociais e a crise econômica que agrava as dificuldades já existentes.

No Norte da África, a gota d"água foi o aumento do preço dos alimentos e o ódio contra as autoridades após a imolação de um verdureiro tunisiano. Quando governos tentaram esmagar os protestos, apenas atiçaram as chamas. Na Grã-Bretanha, problemas sociais pré-existentes foram agravados por medidas de austeridade e, posteriormente, pela indignação causada por uma tentativa da polícia de disfarçar um assassinato. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

É JORNALISTA DA REUTERS

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