Tumultos no Haiti deixam um morto e vários feridos

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas nas primeiras horas das eleições haitianas desta terça-feira, vítimas dos tumultos que tomaram algumas das zonas eleitorais da capital Porto Príncipe.Erilien Pierre, de 76 anos, morreu asfixiado após ser cercado por milhares de pessoas que desordenadamente tentavam chegar ao centro de votação de Jaquet, no bairro Petion-Ville, em Porto Príncipe, confirmaram as autoridades.No centro de votação de Circulacion, nas proximidades do bairro de Cité Soleil, várias pessoas ficaram feridas pela mesma causa.Muitos centros de votação não puderam abrir no horário previsto, às 6h (9h de Brasília), devido a problemas de eletricidade. Na favela mais conflituosa de Porto Príncipe, Cité Soleil, os eleitores começaram uma peregrinação às 4h (horário local) para outras áreas da cidade a fim de votar. O bairro - onde vivem cerca de 300 mil pessoas - serve de refúgio para os principais grupos armados que atuam em Porto Príncipe e por isso não recebeu centros de votação.Soldados brasileiros usaram gás lacrimogêneo para "dispersar um tumulto" em Croix de Rouge, área rural de Porto Príncipe patrulhada pelo Brasil, segundo o porta-voz do batalhão, tenente-coronel Fernando da Cunha Mattos.Dificuldade para votarVárias horas após a abertura das urnas, milhares de moradores de Cité Soleil que se viram impossibilitados de exercer seu direito ao voto começaram a formar uma manifestação de protesto, a fim de chegar ao Palácio Presidencial, sede do governo haitiano.As emissoras de rádio não param de transmitir reclamações dos cidadãos, que não conseguem chegar às urnas e que estão desde o início da madrugada esperando para entrar em centros de votação que não abriram as portas várias horas depois do horário definido.Eunite Seide, de 23 anos, só descobriu que estava no local errado quando entrou na seção eleitoral, depois de horas na fila. "Eu queria votar", disse Seide, frustrada.A situação também está tensa em dois centros de votação que às 13h do horário local (16h em Brasília), sete horas depois do horário previsto para a abertura das urnas, permaneciam fechados por causa da desorganização.Mas muitos acham que as horas de sofrimento nas filas serão recompensadas. "Só estou votando porque eu acho que o Haiti vai mudar amanhã (depois das eleições)", disse Michael Preyll, que chegou às 5h na praça de Saint Michel, centro da capital haitiana, e só conseguiu votar quatro horas depois.O pleitoNestas eleições, 3,5 milhões de haitianos estão convocados às urnas para escolher o presidente da República entre 33 candidatos, e 30 senadores e 99 deputados entre 1.300 candidatos.O pleito, adiado quatro vezes no ano passado, foi convocado pelo governo provisório instaurado após a revolta popular em fevereiro de 2004, que tirou do poder e do país o então presidente, Jean-Bertrand Aristide, exilado na África do Sul.O fechamento das urnas está previsto para as 16h, mas o horário pode ser mudado por causa do atraso no início da votação. A prorrogação do horário de votação também pode criar problemas de segurança, já que a falta de eletricidade vai deixar a cidade às escuras a partir do anoitecer.As eleições são vigiadas por centenas de observadores internacionais das Nações Unidas, da União Européia, do Mercado Comum do Caribe, do Instituto Nacional Democrata dos EUA e da Organização Internacional da Francofonia.

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