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Themba Hadebe/AP
Themba Hadebe/AP

Prisão de Zuma leva África do Sul a pior onda de violência política em anos

Manifestações em apoio a ex-presidente foram seguidas por saques e vandalismo

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 17h13

JOHANESBURGO - Ao menos 72 pessoas morreram na África do Sul durante os tumultos que se seguiram à prisão do ex-presidente Jacob Zuma, informaram autoridades na tarde desta terça-feira, 13. Mais de 700 foram presas, acrescentaram, a maioria por atos ilegais como saques e vandalismo. A situação ainda não foi controlada. 

De acordo com as autoridades, 10 pessoas foram pisoteadas até a morte durante um saque em um shopping, enquanto a polícia e os militares disparavam granadas de atordoamento e balas de borracha para tentar conter a multidão.

A violência estourou depois que Zuma começou a cumprir uma sentença de 15 meses por desacato ao tribunal na última quinta-feira, 8. Ele se recusou a cumprir uma ordem judicial para testemunhar em um inquérito que investiga denúncias de corrupção sob seu mandato, de 2009 a 2018.

A agitação se transformou em uma onda de saques nas áreas dos municípios de duas províncias, Gauteng e KwaZulu-Natal, onde uma estação de rádio comunitária foi saqueada e tirada do ar e centros de vacinação contra a covid foram fechados. Até o momento, os tumultos não se espalharam para as outras sete províncias da África do Sul, onde a polícia está em alerta.

"O elemento criminoso sequestrou essa situação", disse o premiê David Makhura, da província de Gauteng, que inclui Johanesburgo.

Muitas das mortes nas províncias de Gauteng e KwaZulu-Natal ocorreram durante  debandadas caóticas, enquanto milhares de pessoas roubavam alimentos, eletrodomésticos, bebidas e roupas de lojas, disseram as autoridades.

Mais da metade dos 60 milhões de habitantes da África do Sul vive na pobreza, com uma taxa de desemprego de 32%, de acordo com estatísticas oficiais. A pandemia, trazendo demissões em massa e crise econômica, aumentou a fome e o desespero que ajudaram a transformar os protestos desencadeados pela prisão de Zuma em tumultos mais amplos.

“Entendemos que os desempregados têm alimentação inadequada. Entendemos que a situação piorou com a pandemia'', disse Makhura, visivelmente emocionado, em entrevista a uma emissora local. “Mas esse saque está minando nossos negócios aqui (em Soweto). Está minando nossa economia, nossa comunidade. Está minando tudo. ''

Enquanto ele falava, a transmissão mostrava a polícia tentando colocar ordem no shopping Ndofaya, onde 10 pessoas foram esmagadas até a morte em uma debandada de saques. Tiros podem ser ouvidos ao fundo.

Makhura apelou aos líderes de organizações políticas, religiosas e comunitárias para pedir às pessoas que parem com os saques.

O envio de 2.500 soldados para apoiar a polícia sul-africana não conseguiu impedir o saque desenfreado, embora tenham sido feitas prisões em algumas áreas de Joanesburgo, incluindo Vosloorus, na parte leste da cidade. 

Mais de 700 pessoas foram presas em Gauteng e KwaZulu-Natal, disseram as autoridades, mas a situação estava longe de estar sob controle. No município de Daveyton, a leste de Johanesburgo, mais de 100 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, foram presos por roubarem lojas dentro do shopping Mayfair Square.

As autoridades alertaram repetidamente as pessoas, incluindo simpatizantes de Zuma e parentes, contra o uso da mídia social para encorajar os tumultos. O ministro da polícia, Bheki Cele, disse na terça-feira que cerca de uma dúzia de pessoas foram identificadas como responsáveis ​​pelos distúrbios.

A Corte Constitucional, a mais alta corte do país, ouviu o pedido de Zuma para que sua sentença fosse rescindida na segunda-feira. O advogado de Zuma argumentou que o tribunal superior cometeu erros ao condenar Zuma à prisão. Após 10 horas de depoimentos, os juízes disseram que anunciariam sua decisão em uma data posterior. /AP

 

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