Túneis do contrabando estão ativos em Gaza

Passagens usadas para trazer mercadorias do Egito se mantêm em plena atividade após bombardeios de Israel

SCOTT WILSON , GAZA / THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2012 | 02h06

Por oito dias, o burburinho do comércio ilegal na extremidade sul da Faixa de Gaza foi silenciado pela guerra. A Força Aérea israelense bombardeou diariamente esse pedaço arenoso de terra, a pouco mais de cem metros do Egito, na esperança de fazer desmoronar as vias subterrâneas por onde são transportados comida, veículos, medicamentos e armas que sustentam o domínio do Hamas em Gaza.

Ahmad al-Arja, um estudante de engenharia de 22 anos, estava entre o batalhão de escavadores que tiveram de interromper seus trabalhos em razão do conflito. Mas, no dia 21, instantes depois de Israel e Hamas terem chegado a um cessar-fogo, o chefe de Arja estava no telefone.

"Ele me disse: 'Vamos lá, confie em Deus, e amanhã de manhã comece a cavar'", recordou Arja ao dar início, na companhia de seus primos, ao maçante e traiçoeiro trabalho de reparação dos túneis.

O negócio da cidade de Rafah é a rede de túneis que permite contornar o bloqueio a que Israel submete a Faixa de Gaza - e os negócios estão novamente a mil por hora.

Para os líderes israelenses, que desde o cessar-fogo pedem garantias de que o Hamas seja impedido de reabastecer seu potente arsenal, a reativação do comércio impõe um desafio estratégico.

Após sair de Gaza, há sete anos, o Exército de Israel não tem mais como coibir em terra o fluxo de contrabando que passa pelos túneis. O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, pede ao presidente do Egito, Mohamed Morsi, mais empenho das forças egípcias para reprimir o envio ilegal de produtos para Gaza.

Como Israel percebeu ao tentar conter o lançamento de foguetes contra seu território, ataques aéreos contra os túneis proporcionam alívio temporário, não uma solução.

"O que esperamos é que o Egito e o restante da comunidade internacional impeçam o Hamas de se rearmar", diz o porta-voz de Netanyahu, Mark Regev. "Com a última rodada de ataques, conseguimos reduzir bastante os arsenais de foguetes e mísseis deles. O jeito de evitar outra agressão no futuro é evitar que eles consigam se rearmar."

Israel atacou 140 túneis durante esta última operação, causando sérios estragos a dezenas de dutos que passam pelos quase 11 quilômetros da fronteira de Gaza com o Sinai egípcio. As bombas soterraram entradas e destruíram paredes de concreto dos túneis.

Autoridades de segurança do Hamas que monitoram os túneis - e coletam "impostos" dos comerciantes que compram os produtos importados - dizem que pelo menos 50 túneis desmoronaram. Mas os escavadores acreditam que existam centenas de túneis cruzando a fronteira.

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