Túnis reconhece rebeldes como governo líbio

Al-Jazira informou decisão da Tunísia, primeiro país árabe importante da região a adotar medida

, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

A emissora de TV do Catar Al-Jazira informou ontem à noite, em meio ao avanço dos rebeldes líbios na direção da capital, Trípoli, que o governo da vizinha Tunísia anunciou reconhecer o Conselho Nacional de Transição - CNT, a entidade administrativa dos insurgentes que combatem Muamar Kadafi - como o único governo legítimo da Líbia.

Somente nas 24 horas anteriores, mais de 2 mil refugiados tinham atravessado a fronteira da Líbia com a Tunísia, fugindo dos combates entre as forças de Kadafi e dos rebeldes, segundo a agência de notícias estatal tunisiana. Desde o início da revolta na Líbia, em fevereiro, a Tunísia já recebeu dezenas de milhares de refugiados do país vizinho.

Embora potências ocidentais já tenham reconhecido o CNT como governo líbio há várias semanas, o reconhecimento da Tunísia - onde, em novembro, tiveram início as revoltas que se tornaram conhecidas como "a primavera árabe" - é o primeiro de um país árabe importante da região.

Apesar do esforço para manter uma relativa neutralidade durante a crise na Líbia, o governo provisório tunisiano tem recebido várias autoridades que têm desertado do regime de Kadafi. Ontem pela manhã, uma fonte oficial de Túnis anunciou a concessão de refúgio ao ministro do Petróleo líbio, Omran Abukraa - que decidiu não retornar a Trípoli depois de uma viagem ao exterior.

Nos últimos meses, o CNT, que vem exercendo total controle da região de Benghazi, no leste da Líbia, tem recebido também ajuda em dinheiro dos países ocidentais. Essas doações, de acordo com fontes do próprio CNT, destinam-se a evitar o colapso dos serviços públicos da área sob seu controle. Testemunhas relatam que o conselho rebelde também tem recebido armamento para seguir na luta contra Kadafi.

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