Tunísia anuncia novo governo de unidade e deve incluir opositores

Premiê e ministros de Interior; Exterior e Defesa mantêm cargos; líderes querem diminuir tensão

Associated Press

17 de janeiro de 2011 | 14h47

TÚNIS - O primeiro-ministro da Tunísia anunciou nesta segunda-feira, 17, um novo governo de unidade nacional, na esperança de que terminem os violentos protestos que tomaram conta do país nos últimos dias e que levaram o presidente Zine El Abidine Ben Ali a renunciar.

 

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O premiê Mohammed Ghannouchi, aliado de Ben Ali, e vários outros importantes ministros da equipe de governo permaneceram no cargo. Espera-se que pelo menos um líder da oposição faça parte do novo governo tunisino.

 

Ghannouchi também anunciou que os prisioneiros políticos seriam soltos e que organizações não-governamentais antes consideradas ilegais seriam colocadas na legalidade, entre outras medidas que têm o objetivo de aliviar a dura política mantida por Ben Ali nos últimos 20 anos.

 

O premiê não se referiu à realização de eleições, que segundo a lei da Tunísia devem ser convocadas em no máximo 60 dias. A oposição, porém, quer que o prazo seja estendido para que o povo conheça melhor as decisões onde antes só o partido do presidente aparecia.

 

Até as novas eleições serem realizadas, o país será comandado pelo presidente interino, Fouad Mebazza, ex-presidente da Câmara Baixa do Parlamento e também veterano do partido governista.

 

O novo governo é formado em meio a protestos na nação do norte da África dias depois de Ben Ali ter fugido. O presidente renunciou depois 23 ano no poder após as pressões das revoltas populares, que iniciaram como protestos contra a corrupção e depois tomaram motivações políticas.

 

Ghannouchi, que é premiê da Tunísia desde 1999, afirmou que os ministros da Defesa, do Interior e de Assuntos Externos mantiveram os cargos. Três opositores, inclusive o fundador de um importante partido da oposição, devem integrar o governo, algo inédito no governo tunisino.

 

Os manifestantes tomaram as ruas também nesta segunda-feira para pedir a entrada de opositores no governo. Alguns deles pediram a renúncia de todos os aliados de Ben Ali. As forças de segurança estão em alerta no país e tiveram de agir contra a multidão que marchava nas ruas da capital Túnis.

 

Espera-se que o anúncio de Ghannouchi resulte na diminuição da tensão política no país, majoritariamente muçulmano, mas aliado do Ocidente e onde não há traços do fundamentalismo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que os líderes interinos da Tunísia tomem medidas para coibir a violência sem prejudicar a liberdade da população.

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