REUTERS/Zoubeir Souissi
REUTERS/Zoubeir Souissi

Tunísia demite diretor de TV estatal após exibição de imagem de jovem decapitado

Para associação de jornalistas tunisianos, divulgação da imagem foi ‘um grave erro’ que viola as normas de cobertura de notícias sobre terrorismo

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 14h54

TÚNIS - O primeiro-ministro da Tunísia, Habib Essid, ordenou no domingo a demissão do diretor da rede de televisão estatal, Mustafa ben Letaief, aparentemente em razão da emissora ter exibido a imagem da cabeça cortada de um adolescente supostamente decapitado por um grupo jihadista.

Em comunicado, o escritório do chefe do governo anunciou que o jornalista Rached Younes assumirá de forma interina a direção do canal nacional Al Wataniya 1.

Embora o comunicado não especifique as razões da demissão, ele foi divulgado poucas horas após a Associação Nacional de Jornalistas tunisianos ter criticado a exibição em um jornal de uma notícia na qual se via a cabeça cortada de um jovem pastor de 16 anos.

O adolescente havia sido capturado na sexta-feira por uma célula do grupo jihadista local Okba bin Nefa nas montanhas próximas à fronteira com a Argélia junto com outro pastor, de 14 anos, a quem obrigaram a levar a cabeça do rapaz a sua família na cidade de Sidi Bouzid como aviso para que não colaborassem mais com a polícia.

A família então teria guardado a cabeça na geladeira até entregá-la às forças de segurança, imagem que foi mostrada em um jornal que foi ao ar ao meio-dia.

Para a associação de jornalistas tunisianos, divulgar a imagem foi "um grave erro" que viola as normas da cobertura de notícias sobre terrorismo.

Esta é a segunda vez em menos de um mês que uma célula do Okba bin Nefa, ligado à organização terrorista Estado Islâmico, captura um pastor em região montanhosa na fronteira com a Argélia e o decapita após acusá-lo de colaborar com as forças de segurança.

O governo tunisiano responsabiliza o Okba bin Nefa por dois atentados que em março e junho mataram 60 turistas estrangeiros no museu do Bardo, na capital Túnis, e em um hotel da cidade litorânea de Sousse. /EFE

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