Tunísia enfrenta novos protestos em meio a renúncia de ministros

Apesar de haver movimentação de manifestantes, nível da violência caiu nas ruas da capital Túnis

Associated Press e Efe

18 de janeiro de 2011 | 11h43

Polícia age contra manifestantes no centro de Túnis.

 

TÚNIS - A Polícia da Tunísia voltou a agir contra manifestantes nesta terça-feira, 18, na capital do país, Túnis. Dezenas de grupos voltaram a protestar em diferentes pontos da cidade contra a composição do novo governo de transição do país, formado por seis ministros do partido do presidente deposto, Zine al-Abidine Ben Ali.

 

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No centro de Túnis, cerca de uma centena de pessoas tentaram iniciar uma manifestação que foi dissolvida em poucos minutos pelas forças policiais com lançamento de gás lacrimogêneo. O grupo se dispersou pelas ruas adjacentes perseguido por dezenas de agentes policiais, que reprimiram o grupo com cassetetes. Não foram ouvidos disparos.

 

Ao mesmo tempo, em outros pontos da capital, cerca de 20 protestos e concentrações contra o novo governo foram dissolvidos igualmente pelas forças de segurança, informaram moradores de diversos bairros.

 

A capital vive um dia tenso nesta terça-feira. Nuvens de gás lacrimogêneo podem ser vista em várias regiões. Helicópteros policiais sobrevoam a área dos protestos, que tomaram caráter menos violento desde que Ben Ali fugiu para Arábia Saudita..

 

Incentivo

 

Diversas páginas de internet e redes sociais incentivavam os tunisianos para protestarem nesta terça-feira contra a presença de membros do Agrupamento Constitucional Democrático, o partido do presidente foragido.

 

Do total, 12 dos 19 ministros do novo Executivo que deve conduzir a transição até a convocação de eleições são aliados de Ben Ali. O Agrupamento ocupa há décadas o poder no país. O gabinete inclui pela primeira vez dirigentes dos três partidos de oposição legal, além de representantes sindicais e dos movimentos sociais.

 

As centenas de pessoas que tentam manifestar-se pela capital gritam palavras de ordem contra o novo Governo e demandam a dissolução do partido governante. Os partidos de oposição ilegal, principalmente islamitas e comunistas, também criticaram duramente nesta terça-feira a composição do Executivo de transição.

 

Ministros

 

O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, que ficou no cargo após a saída de Ben Ali, manteve vários ministros do antigo regime, dizendo que os que permaneceram têm "as mãos limpas". Hoje, o ministro dos Transportes e Equipamentos, Anouar Ben Gueddour, afirmou que ele e outros dois ministros vinculados ao sindicato UGTT deixaram o governo. A saída das autoridades ocorre apenas um dia após Ghannouchi anunciar a administração interina,que incluía oposicionistas.

 

Não está claro ainda se a saída dos ministros poderia causar a queda do novo governo. Os outros ministros que deixaram o cargo são Houssine Dimassi, do Trabalho, e Abdeljelil Bedoui, que não tinha uma pasta específica. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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