Tunísia investiga bens do ex-presidente Ben Ali no exterior

Suíça anunciou congelamento de contas do ex-líder, que renunciou semana passada

BBC

19 de janeiro de 2011 | 14h12

TÚNIS - A promotoria pública da Tunísia anunciou nesta quarta-feira, 19, ter iniciado investigações sobre bens no exterior em nome do ex-presidente do país Zine El Abidine Ben Ali, que renunciou na semana passada após semanas de protestos contra ele e seu governo.

 

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Segundo a agência de notícias oficial do país, TAP, a investigação examinará possíveis transações ilegais e contas bancárias. A medida, que também afeta bens de familiares do ex-presidente, foi anunciada no mesmo dia em que a Suíça ordenou o congelamento de todas as contas de Ben Ali no país.

A chancelaria suíça disse que a medida foi tomada para impedir que o dinheiro fosse retirado e para garantir ao novo governo tunisiano acesso ao dinheiro se as investigações concluírem que ocorreu desvio ilícito.

O ex-presidente Ben Ali deixou o poder na última sexta-feira, refugiando-se na Arábia Saudita, após uma série de manifestações populares que começou em dezembro.

Mortes

Também nesta quarta-feira, centenas de manifestantes se reuniram mais uma vez na capital da Tunísia, Tunis, mas não há relatos de violência. "Eles (os protestos) continuarão até nos livrarmos do partido dominante. Derrubamos o ditador, não a ditadura", disse um manifestante.

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que a organização recebeu relatos de que mais de cem pessoas morreram durante a onda de violência nas últimas cinco semanas na Tunísia.

Segundo Pillay, as mortes teriam ocorrido "como resultado de tiros, suicídios e rebelião de detentos no fim de semana". A entidade pretende enviar ao país uma comissão especializada em direitos humanos para investigar as mortes e prestar assessoria ao governo.

Há relatos de que o governo de unidade nacional teria adiado seu primeiro encontro nesta quarta-feira. Na terça-feira, integrantes do novo governo renunciaram logo após terem sido nomeados em protesto contra a permanência de integrantes do antigo regime na administração.

 

Liga Árabe

 

Na abertura de um encontro da Liga Árabe no Cairo, na terça-feira, o secretário-geral, Amr Moussa, vinculou a instabilidade na Tunísia às dificuldades econômicas vividas pelos países árabes em geral.

"A alma árabe foi partida pela pobreza, desemprego e recessão em geral", disse Moussa na abertura de um encontro da organização nesta terça-feira no Egito.

Espera-se que os países presentes no encontro aprovem um pacote financeiro de US$ 2 bilhões para estimular suas economias.

A ONU diz que uma em cada três pessoas no mundo árabe vive abaixo da linha da pobreza e enumera entre as principais causas disto a corrupção e a má distribuição de renda.

 

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