Fethi Belaid / AFP
Fethi Belaid / AFP

Tunísia proíbe uso de vestimenta muçulmana em instituições públicas

Primeiro-ministro Youssef Chahed assinou decreto que restringe acesso aos prédios do governo de pessoas usando o niqab - vestimenta que cobre todo o rosto e deixa apenas uma faixa para os olhos - 'por razões de segurança'

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2019 | 11h55

TUNIS - O primeiro-ministro da Tunísia, Youssef Chahed, decidiu proibir nesta sexta-feira, 5, o acesso às instituições públicas de pessoas que usem o niqab - vestimenta que cobre todo o rosto e deixa apenas uma faixa para os olhos - "por razões de segurança".

Segundo o governo tunisiano, Chahed assinou um decreto governamental que "proíbe o acesso aos escritórios da administração e às instituições públicas de qualquer pessoa com o rosto coberto".

A medida foi anunciada no contexto de crescente tensão no país após um duplo ataque suicida perpetrado na quinta-feira passada. Reivindicada pelo grupo do Estado Islâmico (EI), a ação terrorista deixou dois mortos e sete feridos.

Testemunhas disseram o homem-bomba estava disfarçado com um niqab, mas o Ministério do Interior negou essa informação. Foi o terceiro incidente do tipo em menos de uma semana, todos reivindicados pelo EI. A Tunísia se prepara para eleições e para o pico de turistas que costumam visitar o país durante o outono.

Em 2011, as mulheres foram autorizadas a usar o hijab e o niqab na Tunísia, depois de décadas de proibição nos governos de Zine El Abidine Ben Ali e Habib Bourguiba, que rejeitavam todas as formas de vestimentas islâmicas.

A Tunísia tem combatido grupos militantes que operam em áreas remotas perto de sua fronteira com a Argélia desde que uma revolta derrubou Ben Ali em 2011. O país é um dos poucos da região onde os islamistas compartilham o poder com os partidos seculares.

Em fevereiro de 2014, no entanto, o Ministério do Interior autorizou a polícia a realizar um "controle reforçado" de pessoas com niqab, a fim de apoiar a luta contra o terrorismo, especialmente "em razão do uso da vestimenta por suspeitos que tentam se disfarçar e fugir da justiça." / AFP e REUTERS

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