Tunísia rejeita ajuda italiana para conter ilegais

O governo da Tunísia afirmou hoje que está pronto para cooperar com outros países a fim de bloquear o fluxo de milhares de imigrantes clandestinos que estão partindo para a Europa. No entanto, disse que não irá tolerar a interferência estrangeira nos seus assuntos internos. O governo da Itália deseja que a polícia e a Marinha italianas sejam enviadas ao litoral da Tunísia, após milhares de imigrantes clandestinos tunisianos terem conseguido chegar ao território meridional da Itália nos últimos dias cruzando o Mediterrâneo em barcos precários para a ilha italiana de Lampedusa, ao sul da Sicília.

AE, Agência Estado

14 de fevereiro de 2011 | 14h24

Hoje, a chefe de política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, foi a Túnis, onde manteve reuniões com o primeiro-ministro tunisiano, Mohammed Ghannouchi, e outros funcionários do governo interino da Tunísia. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Tunísia "rejeita categoricamente qualquer interferência nos seus assuntos internos ou qualquer ataque à sua soberania", disse o documento, divulgado pela agência estatal de notícias TAP.

O ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, disse hoje que "nós podemos enviar nossos contingentes, bem como nossos barcos" para patrulhar as costas da Tunísia. Maroni afirmou que a Europa pode estar enfrentando uma situação "igual a que enfrentou em 1989, porque estamos assistindo agora à queda de um novo Muro de Berlim, a Europa precisa ter uma estratégia conjunta de chefes de Estado e de governos", afirmou o ministro italiano, fazendo referência às revoluções que derrubaram os regimes comunistas no Leste Europeu entre 1989 e 1991, e levaram milhares de cidadãos do extinto bloco comunista à Europa Ocidental, e fazendo um paralelo com as quedas dos regimes da Tunísia e do Egito no começo de 2011.

Na semana passada, cerca de cinco mil clandestinos tunisianos desembarcaram na ilha italiana de Lampedusa, muitos dos quais fugiram do país do Magreb após a revolução de 14 de janeiro que derrubou o governo de Zine El Abidine Ben Ali. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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