Tunísia tem 60 dias para realizar eleição para presidente

O presidente do Parlamento da Tunísia, Foued Mebazaa, foi nomeado presidente interino do país e abriu as negociações para a formação de um governo provisório neste sábado, um dia depois de a primeira revolta popular contra um líder árabe em muitos anos ter forçado o ex-presidente Zine Al Abidine Ben Ali a fugir do país.

AE, Agência Estado

15 de janeiro de 2011 | 12h42

Ben Ali partiu na sexta-feira para a Arábia Saudita em meio a protestos alimentados pelo desemprego, pelos ataques policiais e por seu governo autocrático que durou 23 anos. Em comunicado lido pela televisão nacional neste sábado, o chefe do conselho constitucional da Tunísia disse que as eleições terão de ser realizadas em 60 dias e que o presidente do Parlamento atuará como presidente do país até lá.

Mebazaa iniciou reuniões com partidos de oposição para formar o governo provisório, disseram oposicionistas. Os acontecimentos deste sábado aparentemente lançaram alguma clareza na situação política após a deposição de Ben Ali. Na sexta-feira, o primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi havia dito que assumiria temporariamente o poder após Ben Ali ter tentado dissolver seu governo.

Mas as incertezas persistem em Túnis. Diversas unidades da polícia patrulhavam o centro da cidade, também vigiada pelo Exército. As autoridades impediam as reuniões públicas. Tanques bloqueavam o boulevard diante do Ministério do Interior.

A Air France-KLM e a Deutsche Lufthansa cancelaram seus voos para a Tunísia no sábado e disseram que vão observar os acontecimentos antes de decidirem se retomam os serviços no domingo. A Thomas Cook AG, braço alemão da britânica Thomas Cook, organizou na sexta-feira quatro voos para levar cerca de 230 turistas para a Alemanha. Outros 2 mil deixarão a Tunísia nos próximos dias.

A deposição de Ben Ali é a mais importante na região em décadas, desde que o Irã derrubou, em 1979, o xá apoiado pelos EUA e demonstrações de massa fizeram cair o governo do Sudão nos anos 1980. No Egito, onde o presidente Hosni Mubarak viu pouca dissidência ao longo de suas três décadas no poder, cerca de 50 pessoas no Cairo dançavam e cantavam "Ben Ali, diga a Mubarak que seu avião está esperando também".

No Oriente Médio houve pouca resposta oficial. A Liga Árabe divulgou comunicado pedindo que as forças políticas da Tunísia continuem "unidas". A Organização para a Libertação da Palestina, por sua vez, saudou a revolta popular, afirmando que o povo do país do norte da África é uma inspiração para o restante do mundo árabe.

Os eventos de sexta-feira marcaram um novo capítulo nas relações dos EUA com a Tunísia, cujo regime recebia montantes modestos de ajuda norte-americana, mas frustrava as autoridades de Washington. Em telegrama confidencial de 2009, recentemente vazado pelo WikiLeaks, uma autoridade norte-americana escreveu que o governo de Ben Ali havia se degenerado num regime "esclerosado". "Por muitas medidas, a Tunísia deveria ser um próximo aliado dos EUA, mas não é", afirmava o telegrama.

Em comunicado na sexta-feira, o presidente Barack Obama aplaudiu "a coragem e dignidade" dos tunisianos e pediu que o governo respeite os direitos humanos e convoque eleições em breve. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
Tunísiaeleiçõespresidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.