Tunísia tem greve geral um dia após morte de político

Esta sexta-feira tem sido marcada pelo luto na Tunísia, um dia depois do assassinato de uma importante figura da oposição, o que provocou novos debates políticos, protestos e uma greve geral. A empresa aérea nacional Tunisair e companhias europeias cancelaram voos e a expectativa é de mais protestos de rua.

Agência Estado

26 de julho de 2013 | 12h13

O deputado Mohamed Brahmi, do partido de esquerda nacionalista Movimento Popular, foi assassinado do lado de fora de sua casa em Ariana, perto de Túnis. O escritório da promotoria informou que a autópsia mostrou que Brahmi foi atingido por 14 disparos. Familiares e amigos disseram que ele será enterrado como um "mártir" no sábado, num cemitério de Túnis.

Balkis Brahmi, filha do político, disse que seu pai foi morto por dois homens que estavam numa motocicleta preta. "Por volta do meio-dia nós ouvimos disparos e meu pai chorando de dor. Corremos para fora - meu irmão, minha mãe e eu - e vimos seu corpo crivado de balas ao volante do carro, estacionado em frente de casa", disse ela à agência France Presse.

Na medida em que a notícia do assassinato se espalhava, milhares de manifestantes tomavam as ruas da região central de Túnis e de Sidi Bouzid, local de nascimento da Primavera Árabe e cidade natal de Brahmi, já na quinta-feira.

Em Túnis, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que tentavam montar uma barraca, que seria a central de um protesto pedindo a queda do governo, após o assassinato de um segundo crítico da liderança islâmica do país.

Segundo o ministro do Interior, Lotfi Ben Jeddou, o assassinato foi promovido pelo movimento radical sunita salafista. "Os primeiros elementos da investigação mostram o envolvimento do Boubaker Hakim, um grupo extremista salafista", afirmou ele durante coletiva de imprensa.

Ele também afirmou que Brahmi foi morto com a mesma arma usada no assassinato de outro opositor do governo, Chokri Belaid, em fevereiro.

A União Geral dos Trabalhadores Tunisianos, que afirma ter meio milhão de integrantes, convocou uma greve geral para esta sexta-feira em protesto contra o "terrorismo, a violência e os assassinatos".

O secretário-geral do sindicato, Sami Tahri, disse que todos os setores da economia, em todo o país, aderiram à greve, destacando o fechamento dos bancos, dos serviços de saúde e da maior parte do transporte público. Fonte: Dow Jones Newswires.

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