Tunisiana que vive no Cairo foi presa durante protesto

Youmna Lakhal não acreditava que protestos em massa fossem possíveis nos países e se diz ''orgulhosa''

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2011 | 00h00

Youmna Lakhal vive uma dupla saga pela liberdade. Hoje com 23 anos, ela se mudou há 7 da Tunísia para o Egito. No mês passado, Youmna assistiu pela televisão à queda do ditador de sua terra natal, Zine El-Abidine Ben Ali, há 23 anos no poder. Agora, a luta é contra o ditador de seu país adotivo, Hosni Mubarak.

"Estou tão orgulhosa!", exclamava na Praça Tahrir ontem à noite Youmna, que trabalha como repórter da TV Shabab (Juventude) e como editora de cinema. As conquistas não são sem custo para ela. Um primo seu, designer gráfico, morreu nos confrontos com a polícia na Tunísia. Ele tinha 23 anos, a mesma idade de Youmna, que viaja para a Tunísia duas vezes por ano e conversa com seus parentes de lá toda semana.

Durante a revolução tunisiana, Youmma tentou viajar para seu país, mas os voos foram cancelados. "Eu não esperava (pelos os protestos que derrubaram Ben Ali). Honestamente, os tunisianos são covardes", brincou.

Quando viu o que se passava na Tunísia, Youmna teve esperança de que o mesmo se repetisse no Egito, mas imaginou que ainda demorasse uns cinco anos. "Os egípcios são acomodados", opinou.

Quando vieram as manifestações egípcias, Youmna acompanhou seus preparativos pelo Facebook e participou desde o primeiro dia, 25 de janeiro. Estava na Praça Tahrir quando a polícia dispersou violentamente os manifestantes, no dia 26. Na confusão, perdeu a bolsa e o documento egípcio de identidade. No dia seguinte, voltou para à praça com seu passaporte tunisiano. Conseguiu entrar, mas a polícia confiscou o documento, o único que lhe restava.

No dia 1.º, ela caminhava para a praça quando policiais e rapazes à paisana a agarraram na rua, gritando que ela era judia - Youmna usa piercings e roupas pretas ao estilo dos punks ocidentais, não muito comuns entre as mulheres egípcias. Ela não tinha documentos para provar que é árabe.

O jornalista Khaled Dawoud, de 43 anos, licenciado do jornal Al-Ahram, do governo, interveio, e ambos foram levados num táxi para um quartel do Exército. "O que mais me aborreceu foi sermos esmurrados e chutados por garotos de 16, 18 anos", recordou Dawoud. Na base militar, eles viram muitos jornalistas estrangeiros. Depois de aproximadamente uma hora de detenção, quando Dawoud conseguiu mostrar a carteira do Al-Ahram, ambos foram soltos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.