Turco-cipriotas fazem protesto contra cortes salariais

Milhares de turco-cipriotas do norte do Chipre deixaram seus locais de trabalho hoje para protestar contra o que afirmam serem políticas econômicas injustas. Manifestantes de cerca de 40 organizações sindicais tocaram tambores e assopraram vuvuzelas durante um protesto pacífico no norte de Nicósia para expressar sua desaprovação contra as políticas que, segundo eles, estão fazendo com que os jovens deixem o país em busca de emprego. "A economia vai mal e todos estão ficando irritados", disse o estudante Tugrul Atakan, de 18 anos. "Está ficando pior e pior."

AE, Agência Estado

28 de janeiro de 2011 | 19h41

Os manifestantes também responsabilizaram as autoridades turco-cipriotas por se renderem às pressões da Turquia para implementar medidas como fortes cortes de salário para funcionários públicos em início de carreira. "Ancara preparou essas medidas e as impôs", disse Murat Kanatli, secretário-geral do Partido Novo Chipre, de esquerda. "Eles estão nos empurrando para fora do país."

O Chipre foi dividido em 1974 entre a parte grega - internacionalmente reconhecida e que abrange dois terços do território -, ao sul, e um Chipre turco. Isso aconteceu quando a Turquia invadiu o terço Notre do país, e instituiu a República Turca do Chipre do Norte, reconhecida apenas pela própria Turquia.

Embora a ilha tenha passado a integrar da União Europeia em 2004, apenas o sul, mais rico, tem direito aos benefícios dos integrantes da UE. A Turquia matem 35 mil soldados no norte do país e estimula a economia turco-cipriota com dezenas de milhares de liras turcas em ajuda anual.

O governo turco-cipriota do Partido da União Nacional, de direita, emprega cerca de um oitavo dos habitantes do norte, disse Kanatli, e os cortes salariais podem ter um efeito dominó em toda a economia.

Os turco-cipriotas acreditam que estão perdendo o controle de suas vidas, já que uma política formulada em Ancara é implementada no norte por um governo condescendente, disse Sener Elcil, secretário-geral do sindicato dos professores turco-cipriotas, o KTOS. "O povo está farto. Os turco-cipriotas querem se autogovernar", disse Elcil, um dos organizadores do protesto.

Segundo ele, os turco-cipriotas estão perdendo seus empregos em empresas estatais que são vendidas para empresários turcos. As longas negociações para reunificar a ilha não obtiveram progressos concretos. As informações são da Associated Press.

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