Turco pede que líderes do golpe de 1980 sejam julgados

Um parlamentar turco do governista Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), Omer Celik, pediu hoje que os líderes do golpe militar de 1980 sejam levados a julgamento, em seguida à aprovação de emendas constitucionais que reduziram a imunidade.

AE-AP, Agência Estado

15 de setembro de 2010 | 19h33

A perspectiva de uma ação legal contra militares idosos e da reserva poderá alimentar as tensões numa nação onde um governo reformista liderado por muçulmanos devotos luta contra a oposição de instituições seculares, incluídos o judiciário e as forças armadas.

Ainda não está claro se esses processos realmente ocorrerão. Alguns especialistas dizem que os supostos crimes já prescreveram. Partidários dos processos, contudo, argumentam que não deveriam haver prazos para processar autores de crimes contra a humanidade.

O escritório do procurador em Istambul nomeou hoje o procurador Kadir Altinisik para examinar petições que pedem pelo julgamento dos líderes do golpe de 1980, informou a agência de notícias Anatólia. No domingo passado, a população turca aprovou em referendo várias mudanças à Constituição do país, feita dois anos após o golpe.

O poder voltou às mãos dos civis em 1983. Na segunda-feira, vários grupos de defesa dos direitos humanos entraram com pedidos para que o general Kenan Evren, líder do golpe de 1980, seja processado. Evren tem atualmente 93 anos e está doente.

Celik, que é vice-dirigente do AKP, disse que é responsabilidade dos tribunais decidirem se um processo deve ser aberto. Ele criticou duramente os autores do golpe militar, que levou a uma onda de execuções, torturas e desaparecimentos na Turquia. "Eles são uma gangue de assassinos", disse Celik.

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