Turcomenistão vive dia de luto após morte de ditador

A morte do presidente Saparmurat Niyazov, que governou o Turcomenistão com mão-de-ferro por mais de 20 anos, colocou o rico país em gás natural em um luto compulsório nesta quinta-feira. Niyazov, cujo governo foi marcado pelo culto à sua personalidade, morreu nesta quinta-feira, de complicações cardíacas, aos 66 anos.Ao anunciar o luto, que deve durar sete dias, o Conselho de Segurança de Estado turcomano pediu que a população mostre "firmeza e força" e mantenha-se "unida pelo bem da paz e da prosperidade em nossa terra natal".Na capital Ashgabat, funcionários do governo removeram as decorações de fim de ano e as lojas de bebidas foram obrigados a fechar. "Uma ordem é uma ordem. ´Turcomenbashi´ morreu", disse o dono de uma das lojas obrigadas a fechar, usando a palavra que significa "pai de todos dos turcomanos", maneira pela qual os cidadãos eram obrigados a se referir ao presidente. Nas ruas das cidades, os pedestres pareciam quietos e transtornados. A maioria recusava-se em responder às perguntas dos jornalistas, em um aparente reflexo dos anos de censura sofridos pela mídia independente no país.Segundo um estudante que preferiu não se identificar, professores e alunos da Universidade Turcomana choraram ao saber da morte. "Que tragédia para o povo turcomano", disse uma mulher que também não quis dizer seu nome.A morte de Niyazov foi anunciada na manhã desta quinta-feira em um curto informe da TV estatal, ilustrado por um retrato do presidente emoldurado por tarjas pretas. Na seqüência, um homem vestido de preto leu uma lista das realizações de Niyazov.O funeral deve acontecer neste domingo, em Kipchak, a cidade natal de Niyazov. No local, o presidente construiu a maior mesquita da Ásia Central, chamada "O Espírito do Pai de Todos os Turcomanos". A obra teria custado mais de US$ 100 milhões.Sucessão A morte de Niyazov também despertou dúvidas sobre a sucessão presidencial no país. A Constituição do Turcomenistão estabelece que, caso o chefe de Estado não possa cumprir suas funções, estas devem ser assumidas provisoriamente pelo presidente do Parlamento, que é obrigado a convocar eleições presidenciais em um prazo de dois meses. Mas, como a procuradoria geral turcomana abriu uma investigação criminal contra o atual titular, a presidência foi assumida pelo vice-primeiro-ministro e ministro da Saúde, Gurbanguly Berdimuhammedov. A decisão foi anunciada pelo Conselho de Segurança de Estado turcomana. A Constituição estabelece também que o chefe de Estado interino não pode ser candidato à Presidência. Em Moscou, o ministro do Exterior russo, Sergey Lavrov, pediu que a transferência de poder no país seja feita dentro pacífica e dentro da lei. Mão-de-ferroNiyazov ocupava a presidência do Turcomenistão, segundo maior produtor de gás natural entre os países da antiga União Soviética, desde 1985, quando o país ainda era uma nação Soviética. Com o colapso do bloco comunista, em 1991, ele reteve o controle do governo criando um complexo regime de culto a personalidade e estabelecendo-se como um dos líderes mais opressivos da região.Desde então, boa parte das cidades do país receberam escolas, estradas e monumentos com seu nome e imagem.Na escola, entre as leituras obrigatórias para as crianças, está o "Rukhnama" (livro das almas), escrito pelo presidente. Além disso, os estudantes eram obrigados a jurar fidelidade ao líder todas as manhãs.

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