Turcos criam jogo online para internautas espancarem Sarkozy

Presidente francês é tido como responsável pela aprovação de lei que pune a negação de genocídios, incluindo o de armênios

ANCARA, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h08

O agravamento da tensão entre Paris e Ancara deu origem a um jogo online criado pelos turcos em que o internauta marca pontos ao esbofetear o presidente da França, Nicolas Sarkozy. A relação entre os dois países, já afetada pelo veto de Sarkozy à entrada da Turquia na União Europeia, piorou após a aprovação no Senado francês, na segunda-feira, de uma lei que pune com prisão quem negar genocídios - o que incluiria o massacre de armênios pelos turcos.

O genocídio é um tabu na Turquia. O país nega que 1,5 milhão de armênios tenham sido assassinados entre 1915 e 1917. Os turcos admitem que houve um conflito na época, quando os armênios se rebelaram contra o Império Otomano, precursor do Estado turco, porque não queriam lutar na 1.ª Guerra. No entanto, segundo a Turquia, o número de vítimas é menor e não houve uma política oficial de assassinatos sistemáticos.

A legislação aprovada no Senado foi proposta pela União por um Movimento Popular (UMP), partido de Sarkozy, que deve sancioná-la nos próximos dias. O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu ao presidente francês que vete a lei e ameaçou a França com retaliações econômicas - grandes empresas francesas, como Carrefour, Total e Renault têm grandes investimentos na Turquia.

Na terça-feira, falando ao Parlamento, Erdogan classificou a lei adotada pela França como "racista e discriminatória" e acusou Sarkozy de estimulá-la para fins eleitorais - a eleição francesa será em abril.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, afirmou que a aprovação da lei afetou os laços entre os dois países. "Nossas relações bilaterais estarão em um nível diferente de agora em diante", disse.

Europa. Além da oposição francesa à adesão dos turcos à UE, a relação entre os dois países foi abalada também em razão da insistência de Sarkozy em atacar a Líbia, no início do ano. A Turquia, que é membro da Otan, foi contra e exigiu, sem sucesso, um cessar-fogo. / AP e REUTERS

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