Turcos e americanos divergem sobre a frente norte

Analistas turcos consideraram que a descida de pára-quedistas não significa a abertura automática de uma frente de guerra no norte do Iraque, uma possibilidade que preocupa enormemente Ancara. Por sua vez, o general Vincent Brooks, um dos colaboradores de Tommy Franks, chefe de operações das forças anglo-americanas, disse no comando central no Catar que "a presença de uma brigada de combate (na frente norte) muda consideravelmente a dinâmica (da guerra): aumenta nossas possibilidades e crescem as ameaças ao regime iraquiano".O informe de Brooks e as informações que circulam sobre a frente norte parecem alimentar a hipótese de que os pára-quedistas, mais que proteger os curdos (que habitam o norte), estão trabalhando para completar o "mosaico de ações", como foi várias vezes descrito pelo general Franks.A Turquia teme que uma possível queda de Saddam resulte na consolidação do projeto de autonomia curda no norte do Iraque, onde, segundo Ancara, operam grupos terroristas.O vice-premier e ministro das Relações Exteriores da Turquia, Abdullah Gul, declarou que "pelo momento não há necessidade de enviar tropas turcas ao norte do Iraque". "Nós tomaremos uma decisão quando for necessário e não há nada mais natural que fazê-lo de maneira coordenada (com os Estados Unidos)", afirmou Gul.Os cerca de 1.000 pára-quedistas enviados à área mais ao norte do Iraque, controlada pelo Partido Democrático do Curdistão, se somam a outros 1.500 enviados dias atrás mais ao sul, área controlada pela União Patriótica do Curdistão.Por ora, a hipótese mais provável é que a função principal dos soldados no norte do Iraque seja a de impedir que os grupos curdos ultrapassem algumas "linhas vermelhas" com seus soldados, por exemplo, Kirkuk, Mosul e seus campos petrolíferos.Segundo os analistas de Ancara, um avanço curdo desencadearia uma maciça intervenção turca, como já ameaçou o chefe dos militares Hilmi Ozkok.Esta é a razão pela qual os especialistas consideram improvável que, mesmo havendo um ataque anglo-americano contra Mosul e Kirkuk, os curdos possam se deparar com uma possibilidade crível de estabelecer seu Estado, ao qual os turcos se opõem.Para os analistas, a chegada dos pára-quedistas americanos no norte significa um reforço com relação às garantias dadas pelos americanos à Turquia com relação aos curdos, ao invés de responder a uma função militar em vistas de um ataque a Bagdá desde esta região, que os analistas julgam "militarmente supérflua". Veja o especial :

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