Turcos protestam contra o governo em enterro de soldados

Dez mil pessoas comparecem ao enterro do soldado em Ancara, morto pelo PKK

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Milhares de pessoas saíram às ruas nesta segunda-feira, 11, na Turquia para acompanhar o funeral de três soldados turcos mortos por rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no que acabou se tornando um protesto contra o governo. Nesta segunda, outro soldado foi morto em outro ataque curdo no leste do país.O aumento das mortes de soldados em ataques do PKK deve acirrar ainda mais a disputa interna no país, onde as relações entre o governo do partido islâmico Justiça e Desenvolvimento (AKP) e o Exército, tradicionalmente secular, estão tensas. Os soldados, mortos no sábado, foram enterrados separadamente, em Istambul, Ancara e Manisa, no oeste do país. Na capital turca, dez mil pessoas compareceram ao funeral, exigindo a renúncia do governo. Militares turcos presentes no enterro foram recebidos com aplausos. Em Manisa, os manifestantes vaiaram o líder do Parlamento, Bulnet Arinc, criticaram a atuação dos EUA e dos líderes curdos no Iraque. Desde o final de maio, o PKK matou pelo menos 24 soldados. No ataque de hoje, o militar turco foi morto na Província de Erzincan, no leste do país. A escalada da violência está frustrando a população turca, que acredita que o governo não está agindo com força suficiente. Em meio à disputa política com os seculares, analistas temem que o premiê, Tayyip Erdogan, sinta-se pressionado a adotar uma política militar mais dura contra os curdos, eventualmente até lançando uma ofensiva no território do Curdistão no Iraque, onde o PKK teria 4 mil combatentes. Os rebeldes freqüentemente atravessam a fronteira da Turquia para realizar ataques contra alvos militares turcos. As eleições parlamentares do país serão em 22 de julho.Ancara vem reforçando suas tropas na fronteira com o Curdistão iraquiano e nas regiões sudeste e leste da Turquia, onde há mais atividade do PKK. Apesar de o governo de Erdogan ter manifestado sua preocupação em relação aos rebeldes curdos, o assunto ainda não foi debatido no Parlamento. Tentando minimizar as tensões, o chanceler turco, Abdullah Gul, afirmou hoje que todas as opiniões serão levadas em conta pelo governo. "Tudo que possa dar resultado será analisado", disse em entrevista ao jornal Hurriyet. Gul também reiterou que não há uma disputa com o Exército em relação à segurança do país. Os EUA se opõem à uma incursão turca no Iraque. Em meio à crescente rejeição iraquiana à presença dos EUA, o governo Bush precisa do apoio dos curdos, que compõem o governo. Há duas semanas, dois caças dos EUA invadiram o espaço aéreo turco, num incidente visto com alerta americano. O governo turco culpa o PKK pela morte de 30 mil pessoas desde o começo da campanha separatista em 1984.

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