Turcos querem triplicar capacidade de abrigar sírios Um ano de protestos contra Assad

Cenário: Jonathon Burch / Reuters

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2012 | 03h07

Além de cuidar de metade dos 30 mil refugiados que a ONU estima terem saído da Síria desde o início do conflito, há um ano, a Turquia abriga o principal grupo de oposição a Assad no exterior, o Conselho Nacional Sírio.

Um dos campos destinados aos sírios que passam para a Turquia, isolado por cercas e alta segurança, abriga militares que desertaram. A Turquia nega que esteja armando os insurgentes sírios, mas especialistas dizem que eles recebem pelo menos apoio logístico e estrutura de comunicação de Ancara.

Funcionários do governo turco calculam que entre 200 a 300 sírios atravessaram a fronteira diariamente durante a última semana. Nos dois últimos dias, foram 1,4 mil. Em resposta a essa demanda crescente, a Turquia prepara-se para abrir no próximo mês um novo campo de refugiados para 10 mil pessoas na cidade de Kilis, no sul do país, e já iniciou trabalhos em um outro campo perto do limite leste da fronteira, em Ceylanpinar, para 20 mil refugiados. Isso traria a capacidade de abrigo oferecida pelos turcos para cerca de 45 mil refugiados.

Relatos de quem chega à Turquia explicam as razões para o aumento no fluxo de refugiados. "Eles estão disparando contra mulheres e crianças. Os tanques entraram na cidade e abriram fogo contra lojas", disse um homem de 22 anos recém-chegado de Idlib, apresentando-se como um membro do Exército Livre Sírio. "Eles estão capturando os médicos para impedi-los de tratar os feridos", completou. "Os soldados do governo pegam mulheres e crianças e os alinham no fronte, como escudos humanos. Colocam fogo em casas e lojas. Não há comida ou água lá agora. Nem eletricidade, nada... Voltarei para lutar assim que tenhamos armas e munição", disse o homem.

Durante vários anos, a Turquia cortejou o presidente Bashar Assad, como parte de seus esforços para ter mais influencia no Oriente Médio, mas rompeu essa aliança no ano passado depois que o governo sírio reagiu com violência aos protestos por reformas democráticas e a onda de refugiados começou a chegar à Turquia. O governo turco agora está na linha de frente entre os que pressionam Assad para deixar o poder ou negociar um fim para o conflito que já deixou cerca de 8.500 mortos.

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