Turcos se mobilizam contra lei do adultério

Uma proposta do partido governista para transformar o adultério em crime na Turquia enfurece grupos de defesa da mulher e inspira revolta nos veículos de comunicação. Alguns jornais denunciam que a medida se aproxima mais das rígidas leis islâmicas do que das leis da União Européia (UE), à qual o país aspira. O principal partido de oposição da Turquia já prometeu combater a medida e grupos de defesa da mulher convocaram um protesto em frente ao Parlamento para 14 de setembro, quando os legisladores deverão encaminhar propostas de alteração no código penal turco. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Taiyyp Erdogan, cujo partido governista tem raízes no movimento islâmico do país, apóia a emenda. "Trata-se de uma medida para eliminar a infidelidade. Nós acreditamos que, de alguma forma, isso ajudará a preservar a dignidade humana", declarou. O adultério era ilegal na Turquia até 1996, mas a Corte Constitucional do país revogou a lei porque ela era aplicada de forma desigual, normalmente em detrimento da mulher. Pela legislação antiga, o homem só poderia ser considerado culpado se mantivesse relacionamento prolongado fora do casamento. Para a mulher ser considerada adúltera, bastava um único episódio amoroso clandestino.

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