Turcos vão às ruas de Ancara defender ´Estado secular´

Centenas de milhares de turcos saíram neste sábado, 14, às ruas de Ancara para defender o Estado secular e dizer "não" a uma eventual Presidência do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. O candidato é considerado por muitos um islamita que não defende os princípios básicos da República da Turquia.Manifestantes de todas as províncias começaram a chegar na capital pela manhã, onde cantaram palavras de ordem como "Çankaya (o palácio presidencial) é secular e quer continuar sendo secular", "O caminho de Çankaya está fechado para a Sharia (Lei Islâmica)" e "Çankaya não pode ser entregue aos mulás".Também gritaram "sempre seguiremos nosso caminho" e "a Turquia é secular e será sempre secular" na passeata rumo ao Mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk, exibindo bandeiras turcas e cartazes com a foto do fundador da Turquia moderna.Vários professores universitários e seus estudantes participam da manifestação, organizada com o apoio do principal partido da oposição, o Partido Popular Republicano (CHP).As autoridades prepararam um grande esquema de segurança, com mais de 10.000 policiais preparados para intervir no caso de incidentes violentos. Vários helicópteros da Polícia sobrevoaram a manifestação.Discussão sobre democracia Cerca de 300 ONGs, lideradas pela Associação do Pensamento Kemalista, presidida por um ex-general, convocaram uma concentração na Praça Tandogan de Ancara, que dá para o Mausoléu de Atatürk, para tentar impedir a Presidência de Erdogan.Mas várias ONGs importantes, assim como sindicatos, também contrários à Presidência de Erdogan, negaram-se a participar da passeata, por considerar que esta não enfatiza suficientemente a defesa da democracia.O atual presidente do país, Ahmet Necdet Sezer, disse na sexta-feira que o regime político da Turquia corre um risco inédito desde sua fundação, porque os até faz pouco tempo indiscutíveis princípios básicos da república secular tornaram-se assunto de discussão.Sezer disse que o modelo de um "Islã moderado" proposto para a Turquia inevitavelmente se tornaria um "modelo de islamismo radical".

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