Turismo em Washington lucra com posse

Chegada de milhões de visitantes anima expectativa de hotéis e restaurantes

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

A posse do presidente Barack Obama vai render "centenas de milhares de dólares" para a cidade de Washington, segundo o presidente da Destination DC, a câmara de turismo da cidade. "Será nosso maior evento desde o enterro de Ronald Reagan. Será o equivalente a dez SuperBowls (a final do futebol americano)", disse Bill Hanbury, presidente da câmara. Turistas gastam US$ 5,5 bilhões por ano em Washington e, mesmo com a crise econômica, a câmara espera um crescimento de 15% a 20% nessa receita, ou seja, a indústria deve faturar entre US$ 775 milhões e US$ 1,1 bilhão. Com a vinda de mais de 2 milhões de turistas para os quatro dias de eventos, restaurantes, bares e hotéis esperam salvar o restante do ano. Vários restaurantes vão oferecer pratos e bebidas em homenagem ao novo presidente, como o Obama Bubbly, um drink feito com champanhe, e o Spam-Sushi, um sushi de carne enlatada, especialidade havaiana, Estado onde Obama nasceu. Em um restaurante da cidade, um humorista vai imitar o vice-presidente, Joe Biden, e seus "bidenismos", a coleção de gafes do ex-senador.Alguns empresários, porém, estão mais cuidadosos. Depois de anunciarem que não havia mais vagas em hotéis em Washington, que tem 29 mil quartos, muitos estabelecimentos estão tentando se livrar de 750 quartos que restaram na cidade e mais de 2 mil na região. Muita gente se assustou com a multidão prevista para visitar a cidade e com as medidas de segurança severas e desistiu de assistir à posse. "Eu vou para New Jersey ver minha família, quero estar bem longe dessa confusão", diz um morador do centro de Washington. "Vou embora na sexta-feira. Vai ter tanta gente aqui que não vai dar nem para passear com os cachorros.""É preciso vir munido de muita paciência, porque será um volume incrível de pessoas, medidas de segurança sem precedentes e tudo vai demorar", disse Hanbury. A maior cerimônia de posse até hoje foi do presidente Lyndon Johnson, em 1965, com 1,2 milhões de pessoas.A cerimônia da posse e os eventos paralelos, como a parada, o show no domingo e toda a segurança necessária, não sairão barato - cerca de US$ 47 milhões, segundo a prefeitura. Depois de repetidos pedidos do prefeito de Washington, Adrian Fenty, a cidade receberá financiamento de emergência da Casa Branca para arcar com os custos - o Congresso só havia liberado US$ 15 milhões até então.

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