Sara Lima Silvério/Arquivo pessoal
Sara Lima Silvério/Arquivo pessoal

Turistas brasileiras sequestradas no Egito são libertadas após negociações

'Os sequestradores foram educados e nos trataram bem. Diziam que quando a missão fosse cumprida, nós seríamos libertados', disse uma das brasileiras

FELIPE ODA / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2012 | 03h02

O sequestro de duas turistas brasileiras no Egito terminou ontem após cerca de nove horas de cárcere. Sara Lima Silvério, de 18 anos, e Zelia Magalhães de Mello, de 44, anos foram capturadas por beduínos por volta das 16h30 local (11h30 no horário de Brasília) deste domingo e libertadas à 1h30 (20h30 de Brasília). O resgate foi negociado pelo Ministério do Interior egípcio.

"Eles (sequestradores) foram educados e nos trataram bem. Diziam que quando a missão fosse cumprida, nós seríamos libertados", disse Sara, por telefone, ao Estado. Além das duas brasileiras, outros dois egípcios também foram sequestrados.

Sara e Zelia viajavam de ônibus com um grupo de 42 religiosos da Igreja do Avivamento da Fé, de Osasco, e mais dois motoristas, dois guias e um policial à paisana - os cinco egípcios. "Saímos do Hotel Pyramids Park, em Gizé, e pegamos a estrada na região de Wadi Firan (caminho para a Península do Sinai). Dez minutos de viagem depois, nosso ônibus foi cercado por dois carros com homens armados", afirmou Marli Silvério, de 44 anos, mãe de Sara. "Um deles (carro) entrou na frente do ônibus e tivemos que frear bruscamente para não bater", diz Marli.

Marli conta que o policial desceu do ônibus e tentou conversar com os seis beduínos armados. "Eles atiravam para o alto e em direção aos pés do segurança. Depois disso, um deles entrou (ônibus) e pegou a Zelia, minha filha e um dos guias." Os três e o policial foram levados pelo grupo para uma região montanhosa. Ninguém foi agredido.

O restante do grupo foi escoltado por oficiais egípcios até um hotel na Península do Sinai, próximo à fronteira com Israel. "Um oficial das Forças Armadas do Egito nos garantiu que iria trazê-las em segurança", afirma Dejair Batista Silvério, pastor e pai de Sara.

Segundo Marli, o grupo de brasileiros visitaria o Monte Sinai e depois seguiria para Israel. "Estamos em uma caravana religiosa. Visitando locais sagrados", explica Marli. Eles chegaram no último dias 16 no Egito e ficariam 12 dias viajando. "Não pretendemos alterar a viagem. Tudo foi resolvido bem, graças a Deus", afirma Dejair.

Espera no deserto. Sara afirmou que o grupo sequestrado foi divido em dois carros e levados para "o meio do nada". "Eles nos levaram para um lugar cheio de pedras e sem nada próximo. Estenderam um tapete e nos mandaram esperar", lembrou a jovem. Segundo ela, outros beduínos foram encontrar o grupo de sequestradores. Ninguém foi ameaçado ou agredido. "Nos trataram bem mesmo. Ofereceram chá e cobertores, pois estava muito frio. Até conversamos", conta Sara.

O guia egípcio sequestrado falava português, inglês e árabe. "Ele disse que um dos beduínos me pediu em casamento. Nessa hora demos risada. Estavam todos, sequestradores e reféns, muito calmos", disse Sara.

Cerca de oito horas depois do sequestro, a jovem afirmou que um dos beduínos disse aos reféns que seriam soltos nos minutos seguintes. "Ele nos levou até a polícia. Não parecia com nenhum dos homens que nos pegaram no ônibus. Ele disse que era de outra tribo e não tinha ligação com os sequestradores."

Segundo informações extraoficiais, a intenção dos sequestradores era a de trocar reféns estrangeiros pelo filho de um líder tribal preso pela polícia egípcia nas últimas semanas por posse de drogas e armas.

As turistas chegaram às 2h50 local (21h50 Brasília) ao hotel onde se juntaram aos outros brasileiros e foram recebidas com festa.

"Estão bem e tranquilas. Agora é só comemorar o final feliz dessa história", afirmou Marli.

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