Turquia abrigará radar militar dos EUA

A Turquia aceitou abrigar em seu território um potente radar norte-americano que integra um sistema de defesa antimísseis projetado para proteger os aliados europeus dos Estados Unidos de projéteis de longo alcance, informa o diário The Wall Street Journal.

Agência Estado

01 Setembro 2011 | 21h57

O acordo para que a Turquia abrigue o radar X-Band em uma de suas bases militares acelera a instalação de um sistema de alerta apoiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e tem potencial para agravar a tensão entre Ancara e Teerã.

O governo iraniano qualifica como uma "ameaça" o sistema de defesa antimísseis norte-americano. As relações entre o Irã e a Turquia deterioraram-se nos últimos meses, especialmente por conta de divergência com relação a como lidar com a repressão do governo da Síria contra as manifestações ocorridas no país.

As negociações entre EUA e Turquia tiveram início no primeiro semestre deste ano e aceleraram-se a partir de junho. Uma fonte no Departamento de Defesa (Pentágono) dos EUA disse ao WSJ que o objetivo é ter o radar instalado na Turquia antes do fim deste ano. Uma base militar turca já foi escolhida para abrigar o equipamento, afirmou a fonte, mas o local não seria revelado publicamente.

Por exigência da Turquia, os dados coletados pelo sistema, desenvolvido pela Raytheon, não poderão ser compartilhados em tempo real com Israel, onde os EUA já instalaram em 2008 um radar X-Band para reforçar a defesa antimísseis do Estado judeu.

O compartilhamento de dados com Israel É considerado pela Turquia uma questão política sensível. As relações entre Ancara e Tel-Aviv deterioraram-se depois da ação militar israelense contra uma flotilha humanitária que tentava romper o bloqueio à Faixa de Gaza, em 31 de maio do ano passado. Oito cidadãos turcos e um norte-americano de origem turca foram mortos pelos soldados israelenses na intercepção da flotilha.

Segundo a fonte no Pentágono, a decisão de turca de abrigar o radar faz parte do empenho de Ancara de cerrar fileiras com a Otan e melhorar as relações com Washington. As informações são da Dow Jones.

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