Emin Bal/Reuters/Reuters
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Turquia admite ter matado 35 civis em ataques aéreos

Militares acreditavam se tratar de rebeldes curdos, mas alvo eram contrabandistas

Agência Estado

29 de dezembro de 2011 | 13h41

ANCARA - O porta-voz do partido governista da Turquia, Huseyin Celik, confirmou nesta quinta-feira, 29, que as 35 pessoas mortas em ataques aéreos turcos no Iraque eram civis que atuavam como contrabandistas e que foram confundidos com rebeldes curdos.

 

Celik afirmou que as vítimas "não eram terroristas", mas pessoas que contrabandeavam cigarros do Iraque para a Turquia. Segundo ele, autoridades investigam possíveis falhas de inteligência que levaram à realização dos ataques na noite de quarta-feira.

 

O porta-voz lamentou as mortes e sugeriu que o governo deveria indenizar as vítimas. Anteriormente, os militares haviam declarado que os jatos tinham atacado uma área do norte do Iraque usada pelos rebeldes para entrar na Turquia, depois que aviões teleguiados detectaram um grupo se aproximando da fronteira.

 

O Partido Paz e Democracia (BDP), pró-curdos, disse em nota que 35 pessoas foram mortas, e que seus dirigentes declararam três dias de luto e estão se dirigindo à região, além de programarem protestos em Istambul e outras cidades. "Está claro que foi um massacre. Eles vão tentar acobertar (...). Não vamos permitir que eles acobertem", disse o dirigente Salahattin Demirtas a meios de comunicação locais.

 

O governo turco reprime as ações do PKK desde que o grupo pegou em armas para lutar pela independência da região curda da Turquia, em 1984. Os guerrilheiros frequentemente usam o Curdistão iraquiano, uma região semiautônoma, para preparar ataques contra o território turco.

 

Os militares turcos disseram ter recebido a informação de que o PKK enviou muitos militantes para a região de Sinat-Haftanin, o local dos bombardeios no norte do Iraque, porque pretendia promover uma retaliação contra a recente morte de militantes em combates.

 

As unidades militares foram alertadas de que o PKK estaria planejando ataques contra postos fronteiriços no sudeste turco, o que levou a um reforço na vigilância da fronteira.

 

"Ficou estabelecido por imagens de um veículo aéreo não tripulado que um grupo estava dentro do Iraque rumando para a nossa fronteira", disseram os militares. "Como a área em que o grupo foi localizado costuma ser usada por terroristas, e como eles avançavam para a nossa fronteira à noite, considerou-se necessário que os aviões da nossa Força Aérea atacassem, e eles atingiram o alvo entre 21h37 e 22h24 (17h37 a 20h24 pelo horário de Brasília)."

 

"O local onde o incidente ocorreu é a área de Sinat-Haftanin, no norte do Iraque, onde não há assentamentos civis e onde os principais acampamentos do grupo terrorista separatista estão localizados. Uma investigação administrativa e judicial e os procedimentos relacionados ao incidente continuam",afirmaram os militares.

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