AFP PHOTO / George OURFALIAN
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Turquia alerta que forças da Síria em Afrin sofrerão consequências graves

Ancara diz que combatentes pró-Bashar Assad que se apoiarem milícia curda na cidade serão vistos como 'alvos legítimos' dos tropas do país; chanceler russo pede que os dois países dialoguem 'com base na integridade territorial' da Síria

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 15h59

ANCARA - A Turquia alertou nesta quarta-feira, 21, que forças pró-Síria que estão entrando em Afrin, no noroeste sírio, para apoiar uma milícia curda sofrerão “consequências graves” e serão vistas como alvos legítimos.

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Um comboio de cerca de 40 a 50 veículos transportando forças do governo de Bashar Assad tentou entrar na cidade na terça-feira, mas recuou diante do fogo de artilharia de forças turcas em operação na região, segundo o porta-voz do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

“Qualquer passo do regime ou outros elementos nesta direção certamente terá consequências sérias”, disse o porta-voz Ibrahim Kalin a jornalistas.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG com sede no Reino Unido, disse que a ofensiva turca continuou de terça para quarta-feira, incluindo o bombardeio da principal cidade de Afrin. Na terça, um comandante da aliança militar pró-Bashar Assad disse que as forças recuaram diante dos disparos, mas que retomaram seu avanço e se encontram em Afrin.

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A Turquia e seus aliados rebeldes sírios lançaram uma operação militar no mês passado para expulsar combatentes da milícia curda YPG de Afrin. Ancara afirma que a YPG é um grupo terrorista e uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que mantém uma insurgência no sudeste turco há três décadas.

“Qualquer passo lá visando apoiar a organização terrorista YPG significará que eles estão se alinhando diretamente a organizações terroristas, e por isso se tornarão alvos legítimos para nós”, alertou Kalin.

O porta-voz disse ainda que a Turquia não está conversando diretamente com o governo da Síria, mas que suas mensagens estão sendo transmitidas indiretamente.

Diálogo

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta quarta que Ancara e Damasco devem dialogar para fechar um acordo após a invasão do Exército turco do enclave sírio de Afrin há um mês.

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"Deveria haver um diálogo com base na integridade territorial da Síria", disse Lavrov na ciadade de Liubliana, na Eslovênia. Ao mesmo tempo, Lavrov considerou que o regime de Assad, "deveria também negociar com cada parte do conflito ativo no seu país, incluindo os curdos".

"Esses são os princípios necessários para evitar o derramamento de sangue", ressaltou o chefe da diplomacia russa, acrescentando que este também é o interesse de todos os vizinhos da Síria. / REUTERS e EFE

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